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Palavra do Reitor

Pinheiro e Imperatriz, novo celeiro de médicos

“Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”. Essas frases foram ditas pelo cineasta e ator Charles Chaplin em seu célebre discurso proferido no filme "O grande ditador", no ano de 1940. Lembrei-me dessas palavras a propósito para falar de uma enorme vitória conquistada por todos nós que fazemos a Universidade Federal do Maranhão, que é a realização de um sonho acalentado por diversos anos: o curso de Medicina chega, finalmente, ao interior do Estado.

O discurso do personagem de Chaplin se amolda com perfeição à constatação de que, a despeito da enorme revolução social e tecnológica que vivemos, precisamos mais do que nunca de homens e mulheres abnegados, que, com dedicação e ternura, exerçam o sagrado ofício da arte de aliviar dores e debelar males. A vitória alcançada por nossa instituição é plural, pois os alunos que se inscreveram no SISU até a sexta-feira passada já puderam eleger as cidades de Imperatriz e Pinheiro e, caso seus pontos permitam, passarão a integrar as primeiras turmas de acadêmicos de Medicina nessas cidades.A boa notícia é que serão oferecidas, anualmente, 40 vagas no curso de Medicina para cada um desses campi, num total de 80 vagas.

Tanto Pinheiro quanto Imperatriz já possuem há tempos todas as condições para a instalação do Curso de Medicina, pois são regiões indutoras de desenvolvimento. Pinheiro, por exemplo, é o principal centro urbano da baixada maranhense, influenciando a economia de, pelo menos, outros 30 municípios. Imperatriz, por sua vez, é a segunda cidade do Estado, com uma forte produção industrial, um setor agropecuário e de serviços bastante desenvolvidos e um ponto de convergência para todos os 48 outros municípios da região sudoeste maranhense, sem contar os dos estados vizinhos – Pará e Tocantins.

Além dessas questões de caráter socioeconômico, impõe-se o aspecto da estrutura e da carência no setor de saúde. Imperatriz possui uma rede pública hospitalar formada por 3 hospitais, com 679 leitos em ocupação contínua, 66 Unidades de Saúde, incluindo também diversos outros serviços e coberturas. Pinheiro, que é considerado o centro de referência em saúde da baixada maranhense por sua proximidade da capital, conta com 2 hospitais, um de atendimento geral (de urgência e emergência) e outro materno-infantil, num total de 133 leitos de ocupação contínua, um centro de especialidades, uma equipe de cerca de 50 médicos, distribuídos nas especialidades e no Programa de Saúde da Família, bem como outros profissionais ligados à área da saúde.

Ao mesmo tempo que realizamos o sonho de milhares de jovens que almejam cursar medicina no interior, também atendemos à meta do governo federal de suprir a carência de médicos nas regiões prioritárias para o Sistema Único de Saúde, visando reduzir as desigualdades regionais nessa área, pois o Maranhão tem a menor relação médico/habitante do país (0,58 por mil, média considerada baixa diante do perfil epidemiológico da população). Uma dessas iniciativas é o Programa Mais Médicos, do qual a UFMA é uma das primeiras e principais parceiras, sendo a tutora do programa no Estado.

Outra grande vantagem é o fato de que os novos cursos de Medicina possuem um perfil diferenciado, mais centrado na humanização dos serviços do Sistema Único de Saúde, voltados para o atendimento da atenção primária. A ideia é mudar a concepção hospitalocêntrica, substituindo-a por uma experiência efetiva nas unidades básicas de saúde (Imperatriz, por exemplo, possui 34 UBS e Pinheiro, 22), capilarizando a experiência dos estudantes, inserindo-os desde os primeiros períodos na rede pública, com aulas práticas, preceptorias num contato direto com a população.

Na trajetória para a instalação dos cursos, várias ações foram efetivadas como a composição de comissões e subcomissões de trabalho com representantes do MEC, da UFMA (na capital e nos campi de Pinheiro e Imperatriz), da gestão de saúde dos municípios e do Estado; construção dos projetos pedagógicos do Curso de Medicina; visitas in loco nos municípios (quinzenais em Pinheiro e mensais em Imperatriz), com vistas à avaliação das estruturas físicas das unidades de saúde, como cenário de ensino-aprendizagem das práticas médicas; pactuação com as gestões municipal e estadual de saúde, com vistas aos convênios de cooperação para a utilização da rede de saúde; acompanhamento da execução do projeto arquitetônico das instalações dos cursos para dotá-las de estruturas físicas e de infraestruturas laboratoriais, equipamentos/materiais e de pessoal (professores e técnicos administrativos), adequadas à operacionalização do curso, além de outras providências necessárias.

Essa iniciativa também serve para consolidar o projeto de expansão e interiorização da Universidade que hoje se encontra na capital e no continente (nos municípios de Imperatriz, Pinheiro, Chapadinha, Bacabal, Balsas, Codó, Grajaú e São Bernardo), com a expansão da graduação em várias áreas do conhecimento. Atualmente, a UFMA disponibiliza 74 cursos de graduação, mas, para 2015, estamos em processo de implantação de mais 13 novos cursos no continente e 1 na capital. Em relação à educação a distância, existem agora 7 cursos. Há ainda os vários programas de formação de professores, distribuídos em dezenas de municípios.

Diante dessa nova e importante vitória, queremos agradecer a todos que contribuíram para que ela se tornasse realidade e, em especial, à bancada de deputados e senadores maranhenses, que com denodo se esforçou para que pudéssemos hoje ver a alegria no rosto de dezenas de novos acadêmicos de Medicina.

Rubem Alves já disse que “a vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente”. Que deste presente venturoso e cheio de boas expectativas nasça um futuro com mais perspectivas de crescimento e sucesso para os novos médicos, suas famílias, suas cidades, e para o nosso Estado.

Doutor em Nefrologia, reitor da UFMA, membro do IHGM, ACM e AMC

Publicado em O Estado do Maranhão em 13/01/2014

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