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Palavra do Reitor

O Deus que habitou (e habita) entre nós

O que ainda se fala do personagem central do Natal, Jesus Cristo, em meio à profusão de tantos outros símbolos e histórias, de invasão de propagandas que prometem presentes de toda a sorte e de cardápios bem elaborados para a ceia? O espírito desta época, inspirado no bem, é o que importa e disso nunca devemos nos esquecer.

Mas o que se sabe do Homem dos Evangelhos? A ciência, ao longo dos séculos, tem se dedicado a estudar o fato de que Jesus viveu entre nós. Já se revelou que ele foi um homem de sua época, certamente longe das imagens que o popularizaram com aquele aspecto nórdico. De acordo com os arqueólogos e historiadores, Jesus foi um judeu típico de sua época: tinha pele parda, cabelos pretos encaracolados, olhos castanhos, estatura mediana.

Em se tratando de um protagonista tão importante, a ponto de dividir a contagem do tempo, e cujas palavras anda impactam profundamente bilhões de pessoas na terra, a respeito dele se espera todo tipo de controvérsia. Pesquisadores, ao longo dos séculos, fizeram todo tipo de afirmação para negar a própria existência do homem Jesus, fato sobre o qual hoje todos os indícios arqueológicos têm consenso: Jesus existiu historicamente.

Em setembro deste ano, arqueólogos da Universidade de Haifa, em Israel, revelaram a descoberta de um mosaico, datado de aproximadamente 1500 anos, que retratou o milagre de Jesus, quando alimentou mais de 5 mil pessoas: a partir da multiplicação dos cinco pães e dois peixes. A descoberta está localizada no parque nacional de Hippos, um conhecido sítio arqueológico próximo ao Mar da Galileia. A revista Istoé também publicou longa reportagem sobre o tema, com detalhes que interessam não apenas aos profissionais e estudantes de Arqueologia, mas também a todos que seguem a fé cristã.

Ora, essa é apenas uma das provas incontestes da passagem do Filho de Deus pela Terra, cujo nascimento, vida e morte são constantemente alvos de um sem-número de especulações. Talvez a mais destacada seja sobre o local de nascimento, pois há os que afirmem que ele não teria nascido em Belém, conforme profetizou Miqueias (cap. 5, vers. 2); que haveria inconsistências históricas e que, provavelmente, defendem, os autores dos Evangelhos queriam que a profecia fosse cumprida e colocaram o nascimento de Jesus em Belém, em vez de Nazaré, conforme argumentam, ou até mesmo na Galileia.

De qualquer maneira, os fatos relativos à biografia de Jesus, contidos nos evangelhos são, primeiramente, objeto da fé. Não significa que a fé é cega ou incoerente, ao contrário, ela pede inteligência e o texto sagrado não depende de afirmações ou “provas” científicas para ser verdade ao entendimento daqueles que genuinamente creem.

Sou um homem adepto da ciência e entusiasta da pesquisa séria e dedicada. E, a despeito desses precedentes, tenho uma certeza inconteste, que não se abala com controvérsias e se ratifica com as descobertas já mencionadas: a vida de Jesus é um legado para o bem da humanidade. Ele é excelente sob todos os pontos de vista: Ele é doador da paz. Ele é portador de toda compaixão. Ele se importou com cada pessoa que cruzou seu caminho e o nosso mundo precisa exatamente destas coisas para tornar nossa habitabilidade neste planeta menos sofrida e mais solidária.

Carlos Drummond de Andrade, que também se dava ao exercício semanal da crônica, escreveu uma no gênero em questão, depois republicada no livro Cadeira de Balanço (José Olympio, 1972) em que fala sobre o Natal. É como um desejo do poeta reunindo e resumindo todas as aspirações que nos embalam, sonhos e esperanças que acalentamos nas duras jornadas que temos que enfrentar ao longo do ano.

“E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.” , diz o poeta, na introdução da crônica “Organiza o Natal”. Cada pessoa teria direito a dois jardins, sonha ele. Sonhemos nós também com esse todo-dia natal, cheio de graça e de prosperidade. Que o Deus que um dia habitou entre nós – e que ainda habita – seja nosso alento na jornada e que disso nunca nos esqueçamos.

 

Natalino Salgado Filho

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* Médico, doutor em Nefrologia, Reitor da UFMA, membro da ANM, da AML, da AMM, Sobrames e do IHGMA

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