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Palavra do Reitor

Uma revolução em curso

“Eppur si muove”. A frase, diz a lenda, teria sido dita por Galileu, que, diante do tribunal inquisitorial, ao renegar sua crença na teoria heliocêntrica e num ato de teimosa convicção, reafirmava que a Terra, no entanto, se movia. A crença corrente, segundo interpretação bíblica da época, era a de que a Terra era estática e não se movia no espaço ao redor do Sol, pois este era o centro do mundo conhecido. Aos 69 anos, coagido a desdizer o que cria ser a verdade – o heliocentrismo copernicano –, Galileu renegou-o dessa maneira. Ainda que tenha se livrado da morte, foi condenado à prisão domiciliar até morrer, nove anos depois.

A história das grandes descobertas ou da defesa de ideias revolucionárias pede um tipo especial de pessoas que, para além da inteligência e amor ao conhecimento, tenham a tenacidade de desbravar novos rumos e horizontes e resistir, muitas vezes, à própria oposição que vem, não raro, da própria Academia. Assim, no espírito galileliano sem, contudo, a oposição que sofreu, esperamos que 2014 seja um ano de muitas descobertas de nossos estudantes e pesquisadores.

Neste primeiro artigo do ano, quero saudar a iniciativa que resultou no primeiro evento fruto do PROQUALI (Programa de Qualidade da Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação da UFMA), que foi o Prêmio Mérito Científico Professora Maria Ozanira Silva e Silva, cujo propósito é destacar os pesquisadores por suas relevantes contribuições na produção científica e no desenvolvimento tecnológico. O evento, ocorrido nas dependências da Cidade Universitária em dezembro, foi o ápice de uma jornada árdua e também de muita alegria para todos e todas que foram distinguidos com tão digna honraria. Quero aqui fazer um adendo à pessoa da Professora Maria Ozanira Silva e Silva, que intitula o Prêmio: Ela é um espelho no qual a comunidade acadêmica pode se mirar, em prol da ciência e da qualidade científica.

Assomou-me a mesma sensação que invade o coração de um missionário ao constatar o fruto de seu trabalho, quando vi os rostos felizes de pesquisadoras e pesquisadores àquela ocasião. Lembrei-me de que essa é uma nova realidade em nossa instituição e que faz parte de um projeto que nasceu do esforço e contribuição inestimável da discussão entre os integrantes de diversas áreas do conhecimento. Assim que assumi o desafio de dirigir os rumos de nossa universidade, constatei que a pesquisa científica praticada era isolada, restrita. Recordo ainda o slogan que marcou o início da nossa primeira gestão: a Universidade que cresce com inovação e inclusão social. Havia um cenário desolador, sem autoestima. Aos poucos, a realidade foi se transformando. Não por acaso, mas por obra e graça de investimentos, reconhecimento do mérito, incentivos e premiações. Hoje, a pesquisa científica praticada dialoga com outros saberes, expande-se e irmana-se com a sociedade, alvo maior de nossas descobertas. Tenho a alegria de, ao olhar para o passado, ter a certeza de que nosso futuro é muito, muito melhor. Acredito que nenhum crescimento prescinde do conhecimento.

Estamos todos esperançosos, e até mais que isso: somos cotejados pela segurança de que estamos no caminho correto. Os programas destacados no artigo anterior – PLANFOR e PROQUALI –, ambos já em plena execução, vão consolidar a revolução que nossa universidade vem experimentando nos últimos seis anos.

O primeiro programa mencionado tem se concentrado na qualificação do corpo docente. Para tanto, realizou-se ampla pesquisa, em todos os cursos, sobre a composição dos professores como especialistas, mestres e doutores. Do total de docentes, 89,4% são mestres e doutores, e os 10,6% restantes estão distribuídos entre especialistas e poucos graduados. O programa reduzirá a zero esse contingente, de modo que atenda a exigência de excelência de que a UFMA precisa. O segundo programa tem enfocado a ampliação progressiva (que segue a pleno vapor desde 2007) dos cursos de mestrado e doutorado. No momento, a UFMA tem implantado cursos de pós-graduação em todas as áreas do conhecimento, dos quais são 16 mestrados e 9 doutorados. Nos últimos cinco anos, a universidade mais que dobrou o número de mestrados e multiplicou nove vezes o número de doutorados, totalizando atualmente 36 cursos de pós-graduação. 

Lembro agora o filósofo Arthur Schopenhauer, autor da frase: “A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê”. Aos que amam a pesquisa e o conhecimento, quero lhes dizer que nossa instituição é o solo ideal onde podem ser plantadas e frutificadas as sementes que renderão os frutos de novas descobertas. A UFMA é atualmente a única universidade que tem a nota 4 do MEC, com auditoria externa. Hoje temos uma produtividade invejável de padrão internacional com produção de patente. Em março, vamos lançar o prêmio para reconhecer boas iniciativas na graduação e temos muitos outros projetos a serem executados. Os próximos dois anos serão de intensas realizações. Esperamos que Deus nos dê força e disposição para cumpri-las.

Doutor em Nefrologia, reitor da UFMA, membro do IHGM, ACM e AMC

Publicado em O Estado do Maranhão em 05/01/2014

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