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Palavra do Reitor

E a violência?

Passado quase um mês do clamor popular que invadiu o Brasil de norte a sul, começam a surgir as primeiras respostas por parte da classe política às demandas insculpidas em cartazes, vozes e redes sociais. Primeiro, o sepultamento da PEC 37 – vitória também do movimento articulado e engajado do Ministério Público; depois, a aprovação dos royalties do petróleo para a educação e a saúde; e, por último, a pressão por uma reforma política – provavelmente a ser decidida por meio de um plebiscito –, o que aponta para um novo cenário neste país.

A presidente Dilma Roussef, em sua primeira aparição pública após a série de manifestações que polarizou a mídia e a internet, apresentou cinco propostas, às quais chamou de pactos: 1. Responsabilidade fiscal e controle da inflação; 2. Plebiscito para formação de uma constituinte sobre reforma política; 3. Saúde; 4. Educação e 5. Transportes. Está claro que todos são temas relevantes e necessários, uma vez que circundam áreas nas quais o Brasil possui ainda diversas carências.

Todavia, há um tema que parece ter sido deixado de lado, ou por equívoco, ou propositadamente: o combate à violência. Essa violência crescente, bruta e sanguinária, que afronta a dignidade humana, interrompe sonhos e destrói vidas. Assistir aos jornais na TV tem sido um exercício de autocontrole diante da agressão diária que transborda da tela e inunda nossas salas de medo, raiva, impotência.

As notícias se sucedem numa escala macabra de perversidade: o assassinato de Brian, garoto boliviano que foi morto porque chorou diante do assaltante assassino; dois dentistas que foram incendiados porque não tinham dinheiro suficiente; um jovem estudante, trabalhador, que, ao chegar à própria casa, é assaltado por outro jovem e, mesmo entregando seu celular, ainda recebeu um tiro na cabeça, embora não tenha esboçado qualquer reação; o pizzaiolo que teve seu estabelecimento invadido por facínoras que mataram tanto a ele quanto ao seu jovem sobrinho, que o ajudava nas atividades cotidianas. No Maranhão, apenas como exemplos desta última semana: um tio suspeito de mandar matar a sobrinha, uma jovem que morreu com um tiro no rosto e um pai que foi preso violentando a filha de dois anos.

Que resposta será dada a este tema complexo e multifatorial? A resistência física e psicológica da sociedade está no limite. Em algumas cidades, a espinha dorsal dos comportamentos é ditada pelo medo. Colhemos seus amargos frutos em doenças físicas e psíquicas. Até quando assistiremos a debates diletantes sobre a violência sem um pacto nacional que a debele ou, pelo menos, a diminua? Até quando jovens, idosos, crianças terão que viver enjaulados em suas casas enquanto bandidos, livres, desafiam o sistema nas ruas?

Entendo que os pactos propostos pela presidente são fundamentais, e elejo a educação e a saúde como áreas que de fato precisam de investimentos e incentivos permanentes. Contudo, não podemos descuidar do combate à violência. Talvez sejam necessários alguns anos para que a sociedade comece a perceber melhorias neste quesito, mas, enquanto isso, como é próprio de um Estado democrático de Direito, um bom começo para a solução passa necessariamente pela mudança das leis; pelo investimento no aparato de segurança; pela valorização e aumento do efetivo de policiais, e, acima de tudo, por mecanismos que possibilitem uma justiça mais célere. Uma coisa é certa: uma justiça que muito tarda só causa tristeza e indignação por parte daqueles que esperam por anos a fio uma solução.

Outro grande problema que desafia uma solução urgente é a venda e o consumo desenfreado das drogas. Por trás da maioria dos gestos tresloucados e desumanos que chocam a todos nós, está ela, a droga. Não preciso nem recorrer a números de fora. Dados da própria Secretaria de Segurança do Maranhão dão conta de que atualmente 72% dos homicídios na Região Metropolitana de São Luís estão relacionados com o tráfico. Recentemente, a Defensoria Pública do Estado precisou realizar um grande mutirão voltado para o atendimento de famílias que buscam a internação compulsória de seus entes que são usuários de substâncias entorpecentes. A demanda é enorme e crescente, e não há quem não conheça uma história triste de uma família, de um amigo, de um conhecido que tenha perdido essa batalha.

É uma guerra que ultrapassa até mesmo o plano material. Em sua mensagem no dia de São Pedro, o papa Francisco lembrou o exemplo que esse Santo legou aos cristãos, e ainda mencionou os apóstolos Paulo e André, afirmando que foi sobre o martírio destes que a igreja foi fundada. Guardadas as devidas proporções, vivemos um martírio moderno. Preservar a paciência, exercitar a misericórdia e manter viva a nossa fé em meio às situações que despertam sentimentos ambivalentes só é possível se nunca esquecermos que Deus está no controle de todas as coisas.

As mensagens que ecoaram das ruas são o prenúncio de uma nova era. Uma grande represa foi aberta. Emoções, insatisfações e toda sorte de inquietações foram mais que esboçadas em cartazes e circulam agora nos meios acadêmicos, que tentam achar explicações, como também nas altas esferas políticas, que, pressionadas, tentam dar respostas às demandas genuínas da grande maioria. A sociedade transformou o discurso em ação, tirando do plano das ideias e dos debates virtuais seus anseios por um mundo melhor. Um mundo em que a fome, corrupção, violência e falta de assistência sejam apenas resquícios de um passado distante. Um mundo, acrescento, no qual a fé em Deus seja cultivada com mais afinco por todos.

Doutor em Nefrologia, reitor da UFMA, membro do IHGM, ACM e AMC

Publicado em O Estado do Maranhão em 07/07/2013

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