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Palavra do Reitor

Discurso de Posse na Academia Maranhense de Letras

Em 14/12/2012 

Senhor Presidente da Academia Maranhense de Letras, Acadêmico Benedito Buzar, na pessoa de quem saúdo e cumprimento as Senhoras e os Senhores Acadêmicos;

Digníssimo público aqui presente,

Boa noite.

Tudo tem o seu tempo, segundo adverte o rei Salomão no Eclesiastes. Aprouve a Deus que este fosse meu tempo de ingressar nesta Augusta Casa, por decisão de seus Ilustres Membros. A partir de hoje tereia honra de saudar-vos como confrades e passarei a compartilhar convosco o compromisso de defender as nossas mais altas tradições de cultura e inteligência. Lembro dos versos de Gonçalves Dias: Vivi; pois Deus me guardava para este lugar e hora!

Ao transpor os umbrais deste templo centenário, idealizado e tornado efetivo por seus doze fundadores, imperioso é evocar o legado de tantos outros que, a exemplo deles, timbraram em modelar e difundir a cultura literária em terras maranhenses e alcançaram nome mundo afora. Entre estes, quero realçar a memória dos que me antecederam na Cadeira 16, que passarei a ocupar, graças ao querer majoritário dos Senhores Acadêmicos.

Inicio com o meu antecessor imediato José Guimarães Neiva Moreira. Ele enobreceu seu nome nas lutas do jornalismo maranhense e brasileiro e escreveu uma história marcada pela crença no binômio paz e liberdade. Nasceu à beira do rio Parnaíba, na cidade maranhense de Nova Iorque. Órfão de pai aos seis anos de idade, precisou, desde cedo, lutar pela vida, contribuindo com seu trabalho para a manunteção familiar. Fez, então, o que estava ao alcance de suas limitadas possibilidades: vender bolos, remar canoas na travessia do rio Parnaíba e outras pequenas tarefas, ao mesmo tempo em que não se descuidou dos estudos na vizinha cidade de Floriano. Conhecedor da dura realidade que cerca Maranhão e Piauí, sua vida toda foi pautada pela luta em favor dos oprimidos. Seu instrumento preferencial de atuação, sempre foi a imprensa. E disso deu provas já aos quinze anos de idade, participando ativamente da redação do jornal estudantil A luz.

Idealista, na inteira extensão do termo, sonhava transformar o mundo, para fazê-lo mais justo e melhor para todos.

No Jornal do Povo, com a reportagem intitulada Geração da Lama, o menino de Nova Iorque deu o primeiro passo rumo à política. Foi um dos líderes da Greve de 51, uma das mais importantes comoções sociais do século passado em São Luís. Como jornalista, imortalizou seu trabalho nos jornais O Combate, aqui no Maranhão, e em âmbito nacional, no Diário da Noite, A Vanguarda, O Semanário, O Planfeto, O Jornal e na revista O Cruzeiro, do grupo fundado por Assis Chateaubriand.

Deputado estadual, foi líder da bancada oposicionista na Assembleia Legislativa. Quando deputado federal, no exercício de três mandatos consecutivos, foi cassado pelo golpe militar de 64, ao lado de outros companheiros como João Goulart, Miguel Arraes e Luís Carlos Prestes.

Cassado e com seus direitos políticos suspensos por dez anos, Neiva Moreira viveu quinze anos de exílio na Bolívia, no Uruguai, na Argentina, no Peru e no México, e enfrentou o dissabor de ter seu jornal fechado e até mesmo a sede incendiada. Mas sua voz permaneceu livre: fundou a revista Cadernos do Terceiro Mundo e foi um dos fundadores, no famoso encontro de Lisboa, do que viria a ser o Partido Democrático Trabalhista. Em seu discurso ao ingressar nesta Casa, ele relacionou o nome da rua que sedia a Academia – Rua da Paz – ao ideal perseguido em toda sua trajetória de luta.

Não se considerava poeta, pois sempre lembrava que seu contato com a poesia havia se dado com a produção de um soneto aos 14 anos, mas logo percebera que seus caminhos com as letras eram outros. Foi defensor das artes – consta de sua história ter capitaneado na imprensa uma campanha que evitou que o Teatro Arthur Azevedo fosse arrendado para uma empresa exibidora de filmes; nacionalista – apoiou firmemente Juscelino Kubistchek quando este estava sendo pressionado pelo FMI para extinguir a Petrobrás. Neiva Moreira era, antes de tudo, um profeta e apóstolo da liberdade. É livre quem deixa de ser escravo de si mesmo, e não deixa o outro ser escravizado, ensinava Sêneca.

Benedito Buzar, nosso ilustre presidente, em sua obra Neiva Moreira, o jornalista do povo, lançada quando Neiva Moreira completou 80 anos de idade, tem o mérito de nos fazer conhecer o pensamento desse grande jornalista através de uma cuidadosa seleção de artigos seus publicados no Jornal do Povo.

Joaquim Itapary, ao saudar a entrada de Neiva Moreira nesta casa, num discurso pontuado de ricas lembranças pessoais e detalhes históricos que muito revelam seu legado, vaticinou: ninguém poderá escrever a história maranhense dos últimos 50 anos do século XX com a omissão do nome de Neiva como jornalista e político.

Na longa entrevista que concedeu a José Louzeiro, e que se transformou no livro O pilão da madrugada, Neiva Moreira alertou: é essencial, mesmo na bruma da confusão dirigida, não perder a perspectiva histórica. O que está para vir é bem mais importante do que o que ficou para trás.

Mesmo quando alcançado pela cegueira, na velhice, tal como Jorge Luís Borges, Neiva Moreira mantinha o espírito entusiasta, eis que afirmou: minha história ainda influenciará outros jovens corações.

Senhoras e senhores.

Quiseram os inescrutáveis caminhos do destino que Neiva Moreira tivesse o privilégio de suceder nesta mesma cadeira outro grande jornalista maranhense, seu amigo em particular, cujo nome era Paulo Augusto do Nascimento Moraes.

Indízivel reencontro na esfera da imortalidade, eles que tantas vezes trabalharam juntos na redação do jornal Pacotilha; conviveram no sobrado da rua de Santana, onde a família de Paulo generosamente acolheu Neiva Moreira por um período; e ainda nas ruas do Rio de Janeiro, quando Neiva acedeu ao conselho do amigo para marcar para sempre seu nome no jornalismo nacional.

Paulo Augusto do Nascimento Moraes, filho de Nascimento Moraes – este, alcunhado por Neiva Moreira como pontífice supremo do jornalismo –, marcou toda uma geração de jornalistas neste estado, abraçando o ofício de informar como sagrado sacerdócio. Carregava no sangue a paixão pelas palavras e fazia delas o seu instrumento de trabalho.

Esgotadas as possibilidades de continuar no Maranhão, devido aos parcos recursos que atormentavam o funcionamento do jornal Pacotilha, seguiu o jornalista para o Rio de Janeiro onde, nas palavras de José Chagas, “viu o que o Rio tinha de manso e violento. A Lapa era o laboratório onde o jornalista, o boêmio e o poeta pesquisaram a vida em todos os sentidos”. Lá, nos informa o poeta, trabalhou com Assis Chateaubriand em O Jornal; com Jurandir Pires Ferreira, em A Força da Razão e com Samuel Wainer, em Diretrizes.

Companheiro de Neiva Moreira na profissão e no amor pelo jornalismo, recebeu deste a seguinte apreciação: “A marca poética de Paulo Moraes, sem que ele mesmo tivesse dado conta, é o grande humanismo que conseguia produzir em torno de tudo o que fazia: humanismo e forte lirismo, transcendendo os limites do romantismo e formando quase que um realismo mágico e lírico”.

Poeta diletante, um curioso pelas aventuras da vida, não teve a preocupação de deixar registros, distraído na boemia e dedicado ao culto às amizades. Ao retornar do Rio de Janeiro para São Luís, retomou o ofício de reportar os acontecimentos. Graças ao esforço de seu irmão, o também acadêmico Nascimento Morais Filho, parte das poesias de Paulo foi reunida no livro Aquarelas de Luz, um misto de alumbramento filosófico e elogio às figuras femininas. Peço a devida permissão para citar um trecho do soneto que intitula aquela obra:

“Caminhemos então!...Tudo é sombra, querida!...

As cigarras cantando!...As cigarras cantando

Afugentam de nós as tristezas da vida!

Esta tarde morreu!...Tu mo afirmas, num beijo!

Eu te digo que não, entre prantos, chorando,

Tu me dizes que sim, sepultando um desejo”.

Paulo não se formou em Direito, sonho de seu velho pai. Mas nem por isso o amor que os unia arrefeceu, assim demonstrado na carta que o filho, reverente, escreve ao genitor:“Sou seu amigo. Admiro-o muito. Devo-lhe o que sou”.

Cada um a seu tempo e modo, os jornalistas Neiva Moreira e Paulo Nascimento Moraes desempenharam a missão de honrar a herança deixada nesta Casa pelo folclorista e estudioso das coisas maranhenses que foi Domingos Vieira Filho. Tal como Jasão, que liderou os argonautas em busca do velocino de ouro, Domingos Vieira Filho empreendeu a busca por palavras e ditados maranhenses, ávido por revelá-los e cristalizá-los na memória de sua gente. Escreveu as importantes obras Folclore brasileiro: Maranhão (1977), A linguagem popular do Maranhão (1979),Breve história das ruas e praças de São Luís (1971) e outros interessantes estudos maranhenses, a maioria dos quais usava não assinar.

Domingos Vieira Filho também foi advogado, consultor jurídico, Procurador do Estado, jornalista, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, membro da seção regional da Comissão Nacional do Folclore, professor do Liceu Maranhense e das Faculdades de Filosofia e Direito.

Tal como os seus antecessores, o fundador da Cadeira 16: o poeta Raimundo Corrêa de Araújo, nascido em Pedreiras, cidade do médio Mearim, aos 29 de maio de 1885. Seu pai, Raimundo Nonato de Araújo e sua mãe, Antônia Corrêa de Araújo, eram prósperos donos de terra.

Veio para São Luís aos dezesseis anos. “Candidamente desarmado vim”, diz ele, poeticamente. Na capital, cursou Direito e tornou-se bacharel em 1928. Foi professor do Liceu Maranhense, escola centenária em que ministrava as matérias História Universal e Sociologia. Durante muitos anos foi diretor da Biblioteca Pública Benedito Leite, onde exerceu com denodo a função de guardião de letras, e pôde exercer seu amor aos livros.

Em sua profícua existência poética, também militou no jornalismo e colaborou com o jornal Pacotilha, como fariam no futuro, Paulo Nascimento Moraes e Neiva Moreira. O pouco que foi dito sobre Corrêa de Araújo, os esparsos dados biográficos, revelam um homem excêntrico, de opiniões firmes e das quais não se arredava, como que entrincheirado.

Em Dualismo Psicológico, soneto que mereceu destaque em Portugal e seria incluído na obra o autor de Evangelho de moço revela a atitude íntima que lhe traduzia e que sua verve poética expunha qual ferida viva. “Vivemos a brigar com moinhos de vento pelo idealismo, por valores eternos, mas em algum lugar em nós um Sancho Pança censura, cru e realista, pois é de sua natureza o amor à mesa, à carne, às honrarias e ao ganho vil”, diz ele.

Como disse Luso Torres, confrade desta Casa, o poeta Corrêa de Araujo foi um sonhador. Homem espiritualizado, debatedor convicto, sensível às torturas do mundo, falava o que lhe ia no espírito. Falar livremente, em certos tempos e condições, é luxo. Corrêa de Araújo bem sabia e sofreu por isso. Em sua poesia se refletem, seja em forma sardônica ou melancólica, as agruras que suportam os que dizem aquilo em que acreditam.

Corrêa de Araújo, batizado Raimundo, nunca foi uma rima, tampouco solução do mundo, vasto mundo. Drummondianamente viveu como que exilado do jardim sertanejo para o qual nunca voltaria. Carregou a marca da experiência do cárcere por motivos de consciência e isto lhe castigou a fronte e sua poesia como se fosse ferro em brasa, deixando entrever nela sua sensação mais íntima de estrangeiro, “longe do céu natal” como verseja em De Volta.

Suas últimas poesias, revelam-se eivadas de tristeza. Lamenta a perda de amigos – Antonio Lobo, Fran Paxeco, Maranhão Sobrinho –, como que antevendo seu próprio destino: “Assim como eu, todos os homens vão”, diz. Resignado, pessimista, homem dúbio? Corrêa de Araújo carregava todas as contradições da condição humana. Ainda em Predestino, ergue-se em canto. “Amo a vida qual é: horrenda e bela”, mas, continua: “Ai de quem se revolta! Ai de quem chora! Pois chora em vão e se revolta em vão.”

Gorgeia ele no poema Pedreiras, da seção Cantos Heróicosde seu livro póstumo Acrópole, publicado em 1960 por esta Augusta Casa:

“Pássaros pedreirenses! Se exilado

Não tenho, como vedes, cantado e voado,

Tenho em compensação sofrido mais,

Pois bem sabeis, por própria experiência,

Corrupiões e sabiás!

Que a ave que canta passa uma triste existência,

E só a que não canta vive em paz.”

Seu “caído palácio de esperança” também do poema Pedreiras se fora para sempre. Não havia mais para onde voltar. Em suas notas biográficas é dito que faleceu num quarto sombrio de um velho sobrado, em 24 de agosto de 1951. Despede-se deste mundo, sozinho, apenas tendo a companhia dos seus livros amados.

Talvez tivesse, como desejou Fagundes Varela, a esperança de conforto em sua partida:

Abram-me um fosso no lugar mais fresco,

Cantem ainda, e deixem-me cantando;

Talvez assim a terra se converta

De suave dormir num leito brando.

O vaticínio de olvido predito pelo próprio Corrêa de Araújo não se cumpriu. Sim, as pedras derribadas foram erguidas com seu legado deixado em forma de poemas. Eles construíram seu nome, perenizaram sua história e aqui o honramos em lembrança, em valor como um verdadeiro filho de Atenas.

Agora, como que inebriado pelo saraus ouropretenses, curvado em gratidão ao cristo parnasiano, encontro outro sofrido e desterrado poeta, Raimundo Correia, patrono desta Cadeira.

Conta-nos Waldir Ribeiro do Val, autor de uma das mais completas biografias sobre Raimundo da Mota Azevedo Correia, que seu nascimento se deu em meio à Baía de Mangunça, a bordo do vapor San’Luiz, navio da Companhia de Navegação a Vapor do Maranhão. A família retornava à capital da província. A ancoragem providencial, três léguas distantes da costa era necessária, pois os baixios traiçoeiros mudavam ao sabor das marés e do fluxo dos rios Cururupu e Cabelo da Velha, fios de água que avançam terra adentro como se fossem dedos do mar acariciando a terra. O pequeno navio de navegação fluvial e costeira não poderia se arriscar na aproximação das ilhas, onde deveria deixar víveres ou apenas receber passageiros.

Nasceu Raimundo antes do tempo. Foi menino triste, solitário, franzino, quieto. Tornou-se um homem ensimesmado, melancólico, frágil. Em “Plenilúnio”, define-se: “Ah! quantas vezes, absorto nela, / Por horas mortas postar-me vim / Cogitabundo, triste, à janela, / Tardas vigílias passando assim!”

Em “Sinfonias” (1882), a segunda publicação de sua obra, Raimundo dá ao parnasianismo brasileiro sua verdadeira face. Ao lado de Olavo Bilac e Alberto de Oliveira, compunha a chamada tríade parnasiana. Raimundo dá à poesia raias de uma filosofia prática: “Se se pudesse o espírito que chora / Ver, através da máscara da face, / Quanta gente, talvez, que inveja agora / Nos causa, então piedade nos causasse.” Quando escreveu esses versos, contava tão somente 22 anos, mas já prenunciava o homem feito, profundo conhecedor da alma humana. A poesia é sua forma de desvelá-la. 

O voo das pombas-sonhos dava lugar a uma maturidade precoce, deixava para trás a adolescência que flertou com o Romantismo que, a esta altura, se esvaía exangue. Representava o velho, o que não atendia mais aos anseios daquele fin de siècle e ao alvorecer de uma época que se via como redentora, científica, racional e técnica. O parnasianismo reverbera o zeitgeist daquele momento com sua impessoalidade, rigor da forma, estética elaborada, resgate da arte que não precisa se explicar nem razão para existir, além de si mesma.

Aluísio Azevedo, escrevendo artigo sobre o lançamento do livro, pergunta: “Que dizer do Raimundo revolucionário?” Sim, armado de pena e papel, mas que Joaquim Serra chama tais versos de “cintilante como a aurora, ou frio e rígido como o aço, cada verso seu parece que não pode ser refeito nem desfeito”. Raimundianamente definitivo.

Mas, despertada a primeira pomba pela raia sanguínea e fresca madrugada, levantado o voo, já não se pode conter o destino de seu mister que é viver. O menino-homem que se enlevava com o sublime que a arte evoca e era capaz de varar noites em claro falando e recitando poesia, ali seu verdadeiro lugar, sua ontogênese, que encontrara-se parnasiano por certa rebeldia, também se rebela quando a forma e o rigor desta escola lhe aprisiona a criatividade, o vezo irrequieto.

Em Vassouras, cidade do interior do atual estado do Rio de Janeiro, rica pela economia cafeeira e que lhe marcará dias felizes e produtivos, Raimundo escreve no jornal local, O Vassourense, sobre seu desencanto com o prejuízo “dessa escola chamada parnasiana”. A seus frutos/produtos chama de aleijados e raquíticos que apresentam todos os sintomas da decadência e parecem condenados, de nascença, à morte e ao olvido. Sente-se, em suas palavras, uma das vítimas desse mal que grassava entre seus confrades poetas.

Tamanha insatisfação dará ao parnasiano brasileiro uma feição única e própria, não uma cópia de sua inspiração francesa, como ocorreu em Portugal. Aqui será algo plasmado de brasilidade, ainda que esta, naqueles dias, desconhecesse a própria identidade. Alguns dirão que Raimundo Correia acaba por produzir as primeiras manifestações do Modernismo brasileiro.

Raimundo, nascido a 13 de maio de 1859 em meio mundo, ancorado entre céu, mar e terra, brilhou como aqueles que se contentam tão somente em ser. Sua grandeza, inversamente proporcional ao que pensa de si, esconde atos de desprendimento, dádiva gratuita.

Raimundo sofrerá durante toda sua vida as agruras de doenças várias. Viajará em busca de saúde. Sua viagem a Paris, em 1911, tem o propósito de restabelecer-se e retomar trabalho e poesia em seu retorno. Tem dias felizes, distantes das perdas que lhe acabrunharam os últimos anos, especialmente a perda de um filho, fato que afirma não ter esperança de um dia recuperar-se. São dias alegres e amenos entre passeios. Sente o ânimo e as forças retornarem. Eis, então que, inesperadamente, sucumbe. Singrou o oceano em busca como foi sua vida inteira, uma busca.

Percebo o viés do destino no patrono e no primeiro ocupante da Cadeira 16. Ambos de água e encanto, fluviais, marítimos, caudalosos em sua existência poética. Netuno devia invejá-los.

Senhoras e senhores,

Acabo de narrar os feitos heroicos de homens que um dia atenderam ao chamado da virtude e chegaram a esta Ágora moderna escudados pela sua inteligência e amor às letras.

Tenho a crença que chego aqui não pelo que sou, mas com o que sou. Consciente de ter esta condição de ser nada, que é a de todos os homens, reconheço porém que trago um coração de menino tal como aqui cheguei, vindo de Cururupu, que nunca perdeu a capacidade de admirar. E é o coração de menino que vai falar mais alto do que a consciência do homem, mais que a razão do médico, da paixão de professor e da curiosidade de cientista.

Minha terra natal é meu leme. Cantiga de sapo grande é a tradução mais aproximada para a estranha palavra Cururupu. Mas naquela faixa de terra chamada de Reentrâncias Maranhenses, pululam palavras estranhas. Muricitiua, Mangunça, Maiaú, Guajerutiua, Caçacoeira, Peru. Ilhas, pontas de terra, arquipélagos receberam estes nomes sonoros, quase onomatopaicos, espécie de herança advinda de terras, mares e ventos. Da mistura que nos explica como povo. São as faixas entrelaçadas da bandeira do Maranhão, idealizada por Sousândrade, poeta nascido às margens do rio Pericumã, nas terras de Guimarães. Talvez as lembranças do lugar o inspiraram a escrever o poema Novo Éden, em que diz: “Vou lhe um dar paraíso/sem precisar do amanhã”.

Desde pequeno acostumei-me a ouvir aquelas palavras, verdadeiras trava-línguas, que evocam mundos míticos escondidos entre a dança dos canais de mar e rios, florestas de mangue e faixas de areia tão alvas que, ao refletir o sol, doem na vista. Essa é a minha Macondo, habitada pelos meus Buendías, mundo repleto de lendas e mistérios. Coisas que nem sempre careciam de nomes e para mencioná-las... precisava-se apenas apontar com o dedo.

Eles constituem mosaicos vivos e luxuriantes. É a vida que pulsa em homens curtidos de sal e água, peixes, pássaros e histórias fantásticas que se contam com juras de verdade. E mentiras não são, pois existem no imaginário da gente e se transformam em festas de sons, fitas, cânticos, danças, num teatro espontâneo, sem palavras.

Celebrados em dias sagrados que se tornaram assim porque os homens os festejam em honra ao santo, ao herói, a eles mesmos que estão disfarçados de seres destes mundos, inventados. Inventado não é inverídico. Aludindo como diria Mário Quintana, é apenas uma verdade que se esqueceu de acontecer.

Alguém duvidará que, em noites de lua cheia, nas faixas brancas de areia da ilha dos Lençóis, no arquipélago de Maiaú, Dom Sebastião se manifeste encantado como um reluzente touro negro com uma estrela de ouro na testa? As areias vermelhas saarianas de Alcácer Quibir voaram até nós,nos porões de caravelas, misturadas ao sangue dos mortos da batalha inglória, travada em nome de Deus.

No emaranhado flúvio-marinho, outro rio de sangue. Mas é uma arribação de guarás que retornam aos ninhais banhados de sol poente. Eles não mimetizam a dor de guerras nos confins do tempo. Simbolizam a vida, arrebatam nossos olhos e nos deixam boquiabertos com desejos de eternizar aquele instante de beleza pleonástica.

Tudo ali se transmuta, o que explica também as histórias dos homens que a partir de suas perdas, recriam outros mundos a um só tempo iguais e diferentes, habitantes das palavras antigas, agora mestiças, faladas em língua nova.

Esta lenda se torna um sonho arquetípico por libertação em que se fundem o fim dantesco pela submersão até mesmo de Upaon-Açu e a redenção de nem se sabe de quê. Seria das canseiras da vida a remar léguas mar adentro em busca de sustento, ao sabor dos banzeiros, das pequenas mortes de cada dia que vem cada qual com seu mal? A este mistério, a morte imaginária do rei Dom Sebastião, e daí sua esperada e libertadora ressurgência do mar e da areia, descubro alumbrado em Guimarães Rosa: as pessoas não morrem, ficam encantadas.

Recordar, então, é deixar-se (re)construir, explicar-se no momento presente e, ainda que tocado pela imortalidade da lembrança nos outros, afastamo-nos da reminiscência platônica que surge na alma daquele que parte, em seu último segundo, ainda naquilo que chamamos vida biofísica. Tomado de ousadia, talvez pela natureza de alguém que se autentica no fazer, quero minhas reminiscências vivas, marmorizadas na mente, entremeadas com cada aspiração de ar, ajudando a refazer cada novo dia que, pela Graça de Deus, me é concedido.

Como adverte Pablo Neruda, Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.

Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...

Mas sê o melhor no que quer que sejas.

Mal saído deste mundo paralelo prenhe de fantasia, arrastado por redemoinhos, fiz caminho para São Luís. Havia que pôr o sonho em prática. Minhas irmãs que o digam das sofridas bonecas submetidas a experimentos cirúrgicos ainda em infantes brincadeiras daquilo que eu já era em arcabouço, fome e ser. Botar sonho para viver custa caro. Desbrava-se estreitas veredas, como bandeirante em busca de esmeraldas. Ao imberbe tornar-se homem havia que buscar trabalho e estudo, se possível. Quase sempre sozinho. Separado dos pais, que foram viver em Guimarães, permaneci na cidade natal. Passei a viver nos fundos de uma farmácia e varava noites lendo, improvisando uma lanterna caseira quando do apagar das luzes ao desligarem o velho gerador, com a sede do náufrago que provou água salgada. Consumido.

Havia um tino de fazedor. Vida espartana, economia que assuntava tempos difíceis, se chegassem. É quando um amigo compadre diz: me ajuda a comprar um táxi para contribuir no sustento de minha família? Espanto. Um virou dois, três... Depois técnico de laboratório, ensaio para a senda médica. Mundo precário aquele. Cada exame pedia a sutileza de artesão. Pipetas, placas, lâminas, reagentes e até o talento de lidar com animais. Paciência e delicadeza de quem faz um haicai.

Vontade de conhecer é do tamanho do desconhecimento. Valho-me de Vieira para lembrar que. “A admiração é filha da ignorância, porque ninguém se admira senão das coisas que ignora, principalmente se são grandes; e mãe da ciência, porque admirados os homens das coisas que ignoram, inquirem e investigam as causas delas até as alcançar, e isto é o que se chama ciência.”

Então era assim. Eu era um admirado. Movido em destemor e soprado por ventos alísios que retesavam velas, cordames e leme. Navegar é preciso, lembra Fernando Pessoa, mas à vela se navega torto. Busca de vento, em ziguezague na direção do norte que é como chamamos o sonho que nos acalenta desde que mal se sabe o beabá. Sonhar é meu próprio estado de existir.

Todo navegador é sujeito ao temor divino. Ele sabe que está nas mãos das vagas num oceano inclemente, criatura insondável, precisa de Deus. Talvez por isso, numa daquelas dobraduras de terra cururupuense, uma ilha tenha sido batizada de Valha-me-Deus.

Aprendi com minha mãe, dona Ivete, que o contato com Deus é no dia a dia em compasso do tempo, em meio ao real desafio de viver, nas conversas evangelizadoras, não porque pregue leis, ritos e verdades infalíveis, mas porque no contato humano demonstra-se a vocação divina pelo cuidado, serviço e dádiva, não do sobrante ou sobejo, mas do bom pão, fresco, quente, nutridor. Imitei-a quanto pude, até fazer a meu modo. Seu amor foi meu lume, sempre soube disso.

É neste amálgama de amores pela ciência e pelo divino, onde não há estranhamento, disparidade ou sombras, posto que um significa o outro, que escolhi viver. Açular outros em quem me vejo. Ávidos. A ciência a serviço do homem é a melhor maneira de servir à imitação de Cristo. Lição de meu pai, servidor público abnegado, dedicado à causa de todos, de quem também herdei o nome.

Assim chego a esta Casa, reverente, por caminhos insondáveis para mim antes, absorvido que estive em labutas, mourejando entre consultórios, livros e em entrega no serviço ao próximo. Mas é como se soubesse. Nos recônditos da alma parecemos saber, como se um anjo sussurrasse nos nossos ouvidos.

Ante o portal deste templo das palavras, compungido em oração, tomo de empréstimo à poetisa mineira Adélia Prado: “Meu Deus... me dá a mão, me cura de ser grande.” Adélia teme as grandezas rotas, auto impingidas, gigantes com pés de barro, com pés em falso que cambaleiam no engano. Pessoas que carregam um “Mal Secreto”, que nos versos do poeta Raimundo Corrêa encontra melhor tradução: “Quanta gente que ri, talvez existe, / Cuja ventura única consiste / Em parecer aos outros venturosa”.

Senhoras e senhores,

Precede-me a trajetória de lutas e conquistas honrosas que alcancei como frutos de uma curiosidade permanente, regida pela paixão que carrego no peito pela ciência, literatura, artes e poesia. Ao contrário de Fausto, meu pacto pelo conhecimento foi com Deus, a quem devo tudo o que sou e o que tenho. Assumi, no dizer de Hannah Arendt, o risco de confiar nos seus desígnios.

Venho também inebriado pelo amor que me dedicam todos os integrantes de minha família, compreensivos e ternos, perdoadores das muitas horas que deixo de passar em suas companhias, quando dedicado ao trabalho, ao ensino e ao estudo. Reconheço em especial que sem o sustentáculo do apoio de minha esposa, filhos, nora e da graciosidade que minha neta trouxe à minha existência, eu não poderia narrar tantos feitos. São todos eles cúmplices de minhas vitórias e lenitivos das horas difíceis.

Não tenho palavras ainda para descrever o carinho que me dedicam os milhares de amigos que conquistei, riqueza incomensurável. Diz Cícero que dos amores humanos, o menos egoísta, o mais puro e desinteressado é o amor da amizade. Como professor e pesquisador, sempre lembro a lição do Padre Antonio Vieira, que afirmava ser a boa educação moeda de ouro, pois em toda parte tem valor. Tal como o autor do livro de Provérbios, chamei a sabedoria de minha mãe e a ciência de minha irmã.

Nunca deixei de acreditar na educação que liberta e que transforma. O mestre da pedagogia Paulo Freire já dizia: Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo. Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza. Sou professor a favor da boniteza de minha própria prática, boniteza que dela some se não cuido do saber que devo ensinar.

Hoje, na condição de estar reitor da Universidade Federal do Maranhão, ao lado de professores, técnicos e alunos, escrevemos um novo capítulo na história daquela querida instituição, marcada pelo espírito de inclusão social. Tive ainda o privilégio dado pelos céus de cumprir o sonho de Dom Delgado, homem que, há 60 anos, anteviu a Cidade Universitária e não mediu esforços para deixar seu exemplo a inspirar tantos outros e a mim também. Dom Delgado marcou a sociedade da época pregando o pão espiritual e também a necessidade do maná diário da educação, que sustentaria gerações no imenso deserto sedento e faminto de conhecimento. Hoje, onde estiver Dom Delgado, ele há de se alegrar ao ver seu ideal cumprido. O sonho virou realidade e a Universidade Federal do Maranhão é hoje uma das que mais se interioriza, se expande e abraça novos discípulos com o evangelho do saber e da ciência.

Como médico, trago a missão de integrar a bancada hipocrática composta por ilustres que um dia também foram acolhidos nesta Casa de literatura e saber, a exemplo de Aquiles Lisboa, Amaral de Mattos, Bacelar Portela, Almeida Nunes, Clarindo Santiago, Odilon Soares, Bacelar Viana, Fernando Viana, Salomão Fiquene e Pedro Neiva de Santana. Sobre Aquiles Lisboa, o médico e farmacêutico, uma coincidência nos irmana: ele também é filho de Cururupu. Tal como João Batista no deserto, empreendeu missão contra a lepra. Seus feitos até hoje repercutem.

Senhoras e senhores,

A perpetuidade hoje me abraça. Trata-se de uma honra suprema integrar esta grande instituição cultural cuja maior missão é servir ao país e ao Maranhão, ao abrigar homens e mulheres cujas contribuições mereceram o reconhecimento de seus pares à época, imprimindo às gerações vindouras a paixão pelo saber.

Artífices de um templo em construção, temos para com nossos antecessores a enorme responsabilidade e o compromisso de invocá-los à sociedade para que (re)descubram suas obras, suas histórias, seus princípios e valores, sem esquecer, contudo, que somos missionários de um novo tempo. Divorciados do cultivo de vaidades, do angariamento da fama ou até mesmo do incentivo da popularidade, somos Antígona a guiar Édipo:nossa missão é guiar imberbes, orientando-os a resguardar e conservar a cultura deste estado, tendo sempre os braços abertos para a novidade consistente e enriquecedora.

Diferentemente de Dédalo e Ícaro, nossos voos são resistentes às intempéries. Somos embalados pela cera de asas compostas de sonhos, aos quais nos dedicamos arduamente. São estes que nos movem a abraçar desafios e um de meus melhores é o de contribuir sobremaneira para engrandecer ainda mais este espaço em que a sabedoria é cultivada.

É esta mesma sabedoria – objeto da oração célebre de Salomão – que rogo a Deus para honrar a herança de Raimundo Correia, Corrêa de Araújo, Domingos Vieira Filho, Paulo Nascimento Moraes e Neiva Moreira. Todos estes que fizeram a travessia com o sinistro barqueiro Caronte, mas foram bafejados pelos anjos protetores da cultura e do saber.

Quis a mão do destino que eu chegasse aqui neste 14 de dezembro, trazendo nas mãos um cesto de trabalhos e um coração disposto a aprender mais, a contribuir, a servir aos preceitos da cultura e da arte. Sábia lição do Padre e Médico João Mohana, com quem tive o privilégio de desenvolver uma sólida amizade e que também integrou o panteão de imortais desta Academia: “O trabalho dignifica o homem. É uma atividade paralela de Deus, articulada com Ele. Daí a suprema dignidade do trabalho humano. Ele se equipara, se nivela, se ombreia ao trabalho divino e assim se assemelha o homem a Deus”.

Oxalá as bençãos divinas me acompanhem em mais esta jornada, ao lado de meus confrades, agora também meus novos irmãos. Recebei-me nesta Casa de Antonio Lobo como um dos Vossos!

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Porque a vida não espera

Revolução educacional

Quando tudo isso vai terminar?

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Por uma nova versão da história

E se deixasse de haver ciência?

Entre linhas de luz

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Homenagem do Reitor Natalino Salgado ao acadêmico da AML Waldemiro Viana

Tempos pandêmicos para secretas lições

Moby Dick, para uma macroscopia do coronavírus

Saúde e educação nas entranhas da cidade

Medicina e Literatura: mais que a vida

Os vírus, as pandemias e as alterações históricas

Ciência a serviço da vida

O vírus, o próprio homem, o racismo e outros inimigos

O sacrifício da verdade

Efeitos colaterais

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O cenário das pragas na vida e na literatura

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Para sempre afetuosos

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A (nova) escolha de Sofia

Qual fim está próximo?

Dia Internacional da Mulher

Doença renal: a prevenção começa na infância (II)

Celeiro de excelência

O (velho) novo problema da corrupção

Tempos difíceis

Obreiro do Conhecimento

Uma palavra de gratidão

Salve Mário Meireles!

Luzes para Domingos Vieira Filho

Novos cenários para a inovação tecnológica

A benção, meu pai

Dunas e saudade

A (anunciada) tragédia grega

Uma homenagem a Bacelar Portela

Um poeta, um estadista e um sacerdote

Reivindicação atendida

Dom Delgado, um homem visionário (IV)

Dom Delgado, um homem visionário (III)

Dom Delgado, um homem visionário (II)

Dom Delgado, um homem visionário (I)

Uma reparação histórica

Páscoa: vida nova a serviço do próximo

A Baixada Maranhense e a sua vocação para a grandeza

Um clamor pelos novos mártires

O legado de Darwin

Excelência no esporte

O essencial é que importa

Contra a intolerância

Menos corrupção em 2015

Contra a intolerância

O brilho de Carlos e Zelinda

A UFMA e o empreendedorismo

Inesquecível Mohana

TJ-MA e a justiça

Valorização da ciência

Novos caminhos para a educação

Ensino para além do tempo e da distância

Arqueologia, mais uma área de conquista da UFMA

O papel protagonista da Associação Comercial do Maranhão

Festival Guarnicê de Cinema: a magia sobrevive (III)

Festival Guarnicê de Cinema: a magia sobrevive (II)

Festival Guarnicê de Cinema: a magia sobrevive

A lição da Copa

A justiça mais próxima do cidadão

No caminho certo

Ubiratan Teixeira: múltiplos em um só

O legado de fé dos santos juninos

Sisu: democratização no acesso ao Ensino Superior

Espaço de celebração e valorização da cultura

Chagas de ausência

Mais um avanço da UFMA

Considerações sobre pecado e redenção

Páscoa, libelo em favor da liberdade

O dia em que a baixada parou

Anchieta, história de fé e amor pela educação

Um código de conduta para a rede

Um reconhecimento merecido

Vértice de oportunidades

O chamado da liberdade

A solução passa pela família

Extensão universitária: de braços abertos para a comunidade

Cuidar dos rins é viver melhor

Em defesa dos nobres valores

Contra a exclusão, a formação

Os (des) caminhos da violência

Pinheiro e Imperatriz, novo celeiro de médicos

Uma revolução em curso

Um ano de novas conquistas

A luz que vem da fé (considerações acerca da Epístola do Papa Francisco)

Conhecimento que desconhece fronteiras

Pelo diálogo e pela sensatez

Novos passos rumo à melhoria do ensino

Confissões antigas sobre o Maranhão

Oportunidades e melhorias no cenário da saúde

A ética como aliada da ciência

Merecidas palmas

A UFMA e o ENEM (parte II)

A UFMA E O ENEM (parte I)

(A)Deus, minha mãe

Voto e democracia, simbiose perfeita

Um desafio para o sistema educacional

Sobre despedidas e inícios

Pausa para equilíbrio e reflexão

Um presente à altura de São Luís

Educação que liberta e transforma

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E a violência?

Sinal de alerta

Sobre a paz e Santo Antonio

Interiorização: caminho para a emancipação

Quando o meio é a própria mensagem

Mais que um homem: uma lenda (parte II)

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De poesia e de arte também se vive

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Alfabetização, primeiro passo para o desenvolvimento

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Natal, tempo de paz e boa vontade

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A realização de um sonho

Energia limpa: caminho para o desenvolvimento

Investir em esporte para gerar campeões

SBPC 2012: cenário de múltiplas possibilidades

O federalismo sob ótica global

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Cultura Universitária x Cidade Universitária

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A educação que movimenta o desenvolvimento