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Palavra do Reitor

A SBPC e os saberes tradicionais

 

A Cidade Universitária se prepara para receber a comunidade científica e os grupos de saberes tradicionais.

A menos de um mês para a realização da 64ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a Universidade Federal do Maranhão se prepara para o evento, colocando em prática a previsão do bispo dom Delgado, um dos pioneiros na fundação da Universidade no Maranhão. Delgado, em 1960, antecipou que a instituição estaria pronta para se transformar numa autêntica cidade universitária, 50 anos depois.

Neste momento, a UFMA conta com 83 obras sendo construídas, recuperadas e/ou ampliadas, transformando o antigo Campus do Bacanga numa nova instituição de ensino superior. São novas avenidas, praças, iluminação diferenciada, saneamento básico, sinalização horizontal e vertical, novas paradas de ônibus e veículos de pequeno porte, caixas d'água gigantes e poços artesianos para garantir a qualidade de vida de uma comunidade acadêmica do nível da UFMA.

Para discutir o tema Ciência, Cultura e Saberes Tradicionais para Enfrentar a Pobreza, a UFMA está se renovando em todas as suas dimensões para receber um público de mais de 20 mil pessoas, entre pesquisadores, professores, alunos, gestores e representantes governamentais que, durante seis dias, discutirão temas como inclusão/exclusão; as várias teorias sobre a pobreza; economia criativa/solidária; desenvolvimento e sustentabilidade do meio ambiente; e a utilização dos saberes tradicionais como suportes vitais para a geração de riqueza, renda, ampliação e qualificação desses saberes para a melhoria da qualidade de vida da população.

Discussões que terão como base a relação entre os saberes tradicionais e os saberes científicos e, principalmente, os fundamentos que originam cada um. De igual modo, estamos trabalhando para receber, de forma digna, os grupos ou comunidades tradicionais que poderão, pela primeira vez, discutir a natureza dos seus conhecimentos ou saberes/fazeres, tendo como base os ofícios, manifestações, rituais ou celebrações que expressam no seu cotidiano.

Esta, sem dúvida, será uma tarefa árdua, mas compensadora, tanto para a academia como para as comunidades, já que, por muito tempo, esses dois tipos de conhecimentos tornaram-se excludentes - um em relação ao outro. É necessário recuperar agora os argumentos que complementam um discurso possível das duas áreas de conhecimento, não somente em favor da natureza, mas, sobretudo, em favor do homem e da sua condição humana. Precisamos aproveitar esse momento e enfrentar a pobreza, em todas as suas dimensões, e ultrapassá-la com aquilo que temos de melhor e que garante a nossa singularidade.

 

Doutor em Nefrologia, reitor da UFMA, membro do IHGM, ACM e AMC

Publicado em O Estado do Maranhão em 01/07/2012

 

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