Início do conteúdo da página
Início do conteúdo da página

Palavra do Reitor

Obreiro do Conhecimento

Os compromissos alusivos à minha despedida do cargo de reitor da UFMA não me permitiram tecer algumas palavras sobre um personagem muito querido da história do Maranhão, que, por coincidência, carregava o nome do Estado em seu sobrenome: monsenhor Hélio Maranhão, que nos deixou há poucos dias.

Tive a oportunidade de muitas vezes ouvi-lo em suas prédicas, nas quais ele entremeava fatos da vida cotidiana com versículos bíblicos, história, exemplos de santos homens e a sabedoria que conseguiu erigir ao longo da vida.

Hélio Maranhão era um homem múltiplo e, por isso, é difícil descrevê-lo em poucas palavras. Contudo, vou tentar me ater em sua faceta de educador. Devido ao conhecimento, conseguiu ascensão na vida. Sempre dispunha de tempo para incentivar e motivar os jovens a seguirem na mesma senda. Lendo sua biografia, constatei algumas de suas formações: licenciou-se em Filosofia, em Teologia, fez diversos cursos na área de Didática, foi docente das disciplinas de Filosofia e História da Filosofia, Sociologia e de várias outras no Seminário Santo Antônio. Em Tutóia, foi um dos fundadores da Escola Almeida Galhardo. Na mesma cidade, criou as Comunidades Eclesiais de Base e a Academia de Ciências, Artes e Letras. Em Codó, dirigiu o Colégio Codoense.

Além disso, coordenou o ensino religioso do Instituto de Educação do Maranhão, em 1960. Em nível superior, lecionou Doutrina Social na então Faculdade de Enfermagem; Filosofia e Religião, na Faculdade de Ciências Médicas do Maranhão; e, ainda, foi diretor do Departamento de Assuntos Estudantis da UFMA, no final da década de 80.

Revisitando alguns de seus artigos, deparei-me com um religioso equilibrado e sensato, ao emitir sua opinião acerca de uma determinação do então papa Bento XVI que gerou polêmica: a de que as missas poderiam voltar a ser celebradas em latim. Entendeu e justificou o monsenhor à época que o sumo pontífice não havia proferido uma ordem, mas apenas uma permissão aos sacerdotes que se sentissem à vontade em segui-la (artigo “A missa em latim, de novo?”). Encontrei um profundo conhecedor da história das igrejas católicas, muitas das quais centenárias em nossa capital, quando reli o artigo “Os sinos de São Luís”.

Ademais, tive um novo olhar poético acerca do Farol de São Marcos, que nas palavras de Hélio é descrito quase como um ente mítico, acolhedor, referência de nossa forma de existir aqui: “[...] Para os que chegam a São Luís, vindos do mar, o Farol anuncia o lar, o recanto delicioso, cheio de ternuras e afagos. E, para quem nunca saiu da Ilha dos Amores e para quem viveu sempre no apego da terra amada e idolatrada, o Farol é mais do que uma saliência histórica. É um monumento sagrado que monta guarda às tradições da cidade” (in “O Farol de São Marcos”).

Frequentador assíduo das páginas de opinião de nossos jornais, muitos foram os artigos publicados pelo Monsenhor. O apóstolo Paulo aconselhou ao seu jovem discípulo Timóteo que deveria persistir em “ler, exortar e ensinar”. O conselho paulino foi seguido à risca por Hélio Maranhão, que foi além, persistindo também em escrever.

A fructibus eorum cognoscetis eos, pelos frutos se conhece a árvore, verdade inconteste impressa nos evangelhos. Os frutos deixados pelo monsenhor repercutirão em nossas vidas e em nosso Estado por longos anos. Que Deus o receba em bom lugar, Hélio Maranhão.

Doutor em Nefrologia, ex-reitor da UFMA, membro da AML, do IHGM e da AMM

 Publicado em O Estado do MA, em 22/11/2015

Mais opções
Copiar url

Porque a vida não espera

Revolução educacional

Quando tudo isso vai terminar?

Quando as pestes nos assaltam

Homenagem do reitor Natalino Salgado ao acadêmico da AML Sálvio Dino

Por uma nova versão da história

E se deixasse de haver ciência?

Entre linhas de luz

Homenagem do reitor Natalino Salgado ao acadêmico da AML Milson Coutinho

Homenagem do Reitor Natalino Salgado ao acadêmico da AML Waldemiro Viana

Tempos pandêmicos para secretas lições

Moby Dick, para uma macroscopia do coronavírus

Saúde e educação nas entranhas da cidade

Medicina e Literatura: mais que a vida

Os vírus, as pandemias e as alterações históricas

Ciência a serviço da vida

O vírus, o próprio homem, o racismo e outros inimigos

O sacrifício da verdade

Efeitos colaterais

Lá fora, sem sair de casa

O cenário das pragas na vida e na literatura

E as lanternas continuam acesas

Para sempre afetuosos

Será admirável o mundo novo?

O gigante aliado no combate ao mal

A (nova) escolha de Sofia

Qual fim está próximo?

Dia Internacional da Mulher

Doença renal: a prevenção começa na infância (II)

Celeiro de excelência

O (velho) novo problema da corrupção

Tempos difíceis

Obreiro do Conhecimento

Uma palavra de gratidão

Salve Mário Meireles!

Luzes para Domingos Vieira Filho

Novos cenários para a inovação tecnológica

A benção, meu pai

Dunas e saudade

A (anunciada) tragédia grega

Uma homenagem a Bacelar Portela

Um poeta, um estadista e um sacerdote

Reivindicação atendida

Dom Delgado, um homem visionário (IV)

Dom Delgado, um homem visionário (III)

Dom Delgado, um homem visionário (II)

Dom Delgado, um homem visionário (I)

Uma reparação histórica

Páscoa: vida nova a serviço do próximo

A Baixada Maranhense e a sua vocação para a grandeza

Um clamor pelos novos mártires

O legado de Darwin

Excelência no esporte

O essencial é que importa

Contra a intolerância

Menos corrupção em 2015

Contra a intolerância

O brilho de Carlos e Zelinda

A UFMA e o empreendedorismo

Inesquecível Mohana

TJ-MA e a justiça

Valorização da ciência

Novos caminhos para a educação

Ensino para além do tempo e da distância

Arqueologia, mais uma área de conquista da UFMA

O papel protagonista da Associação Comercial do Maranhão

Festival Guarnicê de Cinema: a magia sobrevive (III)

Festival Guarnicê de Cinema: a magia sobrevive (II)

Festival Guarnicê de Cinema: a magia sobrevive

A lição da Copa

A justiça mais próxima do cidadão

No caminho certo

Ubiratan Teixeira: múltiplos em um só

O legado de fé dos santos juninos

Sisu: democratização no acesso ao Ensino Superior

Espaço de celebração e valorização da cultura

Chagas de ausência

Mais um avanço da UFMA

Considerações sobre pecado e redenção

Páscoa, libelo em favor da liberdade

O dia em que a baixada parou

Anchieta, história de fé e amor pela educação

Um código de conduta para a rede

Um reconhecimento merecido

Vértice de oportunidades

O chamado da liberdade

A solução passa pela família

Extensão universitária: de braços abertos para a comunidade

Cuidar dos rins é viver melhor

Em defesa dos nobres valores

Contra a exclusão, a formação

Os (des) caminhos da violência

Pinheiro e Imperatriz, novo celeiro de médicos

Uma revolução em curso

Um ano de novas conquistas

A luz que vem da fé (considerações acerca da Epístola do Papa Francisco)

Conhecimento que desconhece fronteiras

Pelo diálogo e pela sensatez

Novos passos rumo à melhoria do ensino

Confissões antigas sobre o Maranhão

Oportunidades e melhorias no cenário da saúde

A ética como aliada da ciência

Merecidas palmas

A UFMA e o ENEM (parte II)

A UFMA E O ENEM (parte I)

(A)Deus, minha mãe

Voto e democracia, simbiose perfeita

Um desafio para o sistema educacional

Sobre despedidas e inícios

Pausa para equilíbrio e reflexão

Um presente à altura de São Luís

Educação que liberta e transforma

À espera de reforços

Democratizando o acesso

A benção de ser pai

Santa madre Igreja

Bem-vindo, Francisco

Quando prevenir, de fato, é melhor que remediar

E a violência?

Sinal de alerta

Sobre a paz e Santo Antonio

Interiorização: caminho para a emancipação

Quando o meio é a própria mensagem

Mais que um homem: uma lenda (parte II)

Mais que um homem: uma lenda

De poesia e de arte também se vive

Uma reivindicação justa e necessária

Vitória, fruto da perseverança

Inimigo oculto

A ordem natural das coisas

Alfabetização, primeiro passo para o desenvolvimento

Exemplo de abnegação e altruísmo

Um ato de reparação

O legado de Bento XVI

E Deus criou a mulher...

Excelência no Continente

O Admirável mundo da química

UFMA: um ano de grandes realizações

Tão perto, tão distante

Natal, tempo de paz e boa vontade

Reconhecimento à Bancada

Reflexões acerca do ano da fé

Medicina: um dom e uma missão

Ensino a distância revoluciona a educação no mundo

Turismo e Hotelaria no contexto das cidades criativas

São Luís: as homenagens continuam

A realização de um sonho

Energia limpa: caminho para o desenvolvimento

Investir em esporte para gerar campeões

SBPC 2012: cenário de múltiplas possibilidades

O federalismo sob ótica global

Histórias coincidentes de lutas e conquistas

Cultura Universitária x Cidade Universitária

Agradecer também é reconhecer

Diversidade local como solução global

Corpus Christi: tempo de recordar para valorizar

Valorizar o passado para compreender o presente

Compartilhar saberes, legar conhecimento

A SBPC e os saberes tradicionais

A educação que movimenta o desenvolvimento