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Palavra do Reitor

Luzes para Domingos Vieira Filho
“Macambira das estrelas,
Xique-xique resolveu:
Quixabeira, bem me queira,
Quem te ama, Bem, sou eu...”
 
Neste artigo, trago a íntegra do prefácio que escrevi para o livro “Dicionário da Obra de Domingos Vieira Filho”, de autoria de Conceição de Maria de Araújo Ramos, José de Ribamar Mendes Bezerra, Maria de Fátima Sopas Rocha, Luís Henrique Serra e Edson Lemos Pereira.
 
Os versos referenciados no início são citados por Riobaldo, personagem de Guimarães Rosa, em seu “Grande Sertão Veredas”. “Canto de cantiga”, como o personagem assim aos versos se refere, tem a finalidade de embalar, encorajar e relembrar os elementos que cercam a vida de um povo, o qual se distingue dos demais por sua forma de falar e por seus costumes. Registrar o modo como uma sociedade se organiza em seus aspectos culturais, discorrer sobre suas festas, superstições e suas crenças são tarefas de contribuição incomensurável à própria humanidade, eis que o legado determina a compreensão da nossa breve existência.
 
O “Dicionário da Obra de Domingos Vieira Filho” é uma obra singular, pois é fruto de uma apurada compilação do trabalho de um dos homens que mais contribuíram para a cultura popular de nosso 
 
Estado. Vale ressaltar que, por coincidência, Domingos Vieira Filho foi um dos meus antecessores na cadeira de número 16, que ocupo na Academia Maranhense de Letras. Tive a oportunidade, em meu discurso de posse, de compará-lo ao personagem mítico Jasão, que liderou os argonautas em busca do Velocino de Ouro. Justifico a comparação pelo fato de que Domingos Vieira Filho empreendeu a busca por palavras e ditados maranhenses, ávido por revelá-los e cristalizá-los na memória de sua gente.
 
Apesar das dificuldades relatadas pelos autores para a feitura da obra, o objetivo foi alcançado: ela tem o mérito de disponibilizar aos leitores um texto com riqueza ímpar de detalhes, preservando a linguagem original e revelando aspectos que vão não apenas despertar nostalgia em quem teve a oportunidade de ouvir ou ler os relatos de Domingos, mas também vão atiçar a curiosidade de quem se interessa por história e cultura.
 
O “Dicionário da Obra de Domingos Vieira Filho”, além de ter como destino tornar-se referência obrigatória para quem quer conhecer um pouco mais sobre o intelectual maranhense (que foi advogado, consultor jurídico, Procurador do Estado, jornalista, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, membro da seção regional da Comissão Nacional do Folclore, professor do Liceu Maranhense e das Faculdades de Filosofia e Direito), tem ainda, no linguajar de Mia Couto, o objetivo de “desmadrugar” os leitores em nossos costumes e aspectos peculiares da vida que determinaram a forma como nos estruturamos como povo, especialmente no período compreendido entre as décadas de 40 e 80 do século XX, recorte de pesquisa eleita pelos autores.
 
Essa obra, sem dúvida, proporcionou-me uma leitura prazerosa, que me fez descobrir o Domingos que passeava pelos quatro cantos de São Luís para “colher” adivinhações; que descrevia superstições dos longínquos tempos de nossos avós; tradições populares, como o hoje desconhecido “Banho de São João”, costume muito comum no final do século XIX, e a brincadeira carnavalesca “O baralho”, folia protagonizada por negros. Fez-me conhecer também um homem preocupado em mostrar as ricas contribuições sobre a história do jornalismo no Maranhão e da evolução do sistema do transporte, por meio do resgate do trabalho de Antônio Lopes, bem como em fazer referência ao jornal satírico “O Bemtevi”, editado por Estevão Carvalho, que circulou no Maranhão na época do Brasil colônia e que despertou muitas polêmicas.  
 
Além disso, a obra descreve como o intelectual contribuiu para a cultura, a educação, o radialismo, a música e as artes plásticas. Quero registrar ainda que o artigo sobre a azulejaria no Maranhão chamou muito minha atenção, pois Domingos elenca endereços onde esse acessório se fazia presente e remonta a origem de várias peças, descrevendo aspectos históricos curiosos... Faltar-me-ia espaço para elencar tantos tesouros encontrados nesses escritos.
 
Após toda essa explanação, é interessante lembrar o questionamento feito por Manoel de Barros, em sua obra intitulada “O livro das ignorãnças”: “Pode um homem enriquecer a natureza com sua incompletude?”. Não tenho resposta para seu Manoel, mas posso afirmar que o legado de Domingos Vieira Filho enriquece nosso saber e nos torna um pouco menos ignorantes acerca de nós mesmos.
 
Doutor em Nefrologia, reitor da UFMA, membro da AML, do IHGM e da AMM
Publicado em O Estado do MA, em 06/09/2015
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