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Palavra do Reitor

Energia limpa: caminho para o desenvolvimento

Em meados dos anos 60, na região de Barreirinhas e na divisa com o Pará, foram realizadas as primeiras sondagens que confirmaram o Estado do Maranhão como uma região brasileira com grande potencial em produção de petróleo e gás. As prospecções iniciais, contudo, não se concretizaram na instalação de uma indústria baseada nesta fonte de energia como em outros estados da federação. Apenas recentemente, com destaque para as descobertas de gás na região central do Estado e para a execução do novo modelo de exploração de petróleo - diversas empresas têm adquirido áreas por meio de leilões para prospectar e explorar - aquelas descobertas começaram a ser viabilizadas comercialmente.

Com a futura instalação da Refinaria em Bacabeira e de várias termelétricas, algumas das quais utilizarão o gás já descoberto, associadas à conclusão dos estudos e implementação do primeiro parque eólico com previsão de produzir 1.4000 MW na conclusão de sua instalação em 2015 - o que equivale a 10% de Itaipu - na região de Paulino Neves e Tutóia (Litoral Leste), o Maranhão entra, definitivamente, numa nova etapa de geração de energia. Neste caso, a chamada energia limpa, posto que possui pequeno impacto ambiental e agrega ainda a vantagem de ser renovável, pois se baseia na força dos ventos.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) montou um mapa eólico que define as principais regiões do país com potencial energético. A região costeira do Maranhão, pelas características de constância e qualidade dos ventos, é a segunda melhor do país, sendo a primeira a costa do Rio Grande do Norte que tem investimentos em parques eólicos superiores a 6 bilhões de reais. Embora haja alguma divergência em função de metodologias de levantamento, estima-se que o Brasil poderá produzir até 60.000 MW de energia baseada nos ventos. Só para comparar, Itaipu possui 20 turbinas com capacidade total de 14.000 MW.

A Universidade Federal do Maranhão, atenta às novas demandas por energia de qualidade - entenda-se aquela modalidade produtora do menor impacto sócio ambiental possível - vem desenvolvendo em parcerias com instituições como a Eletronorte, vários projetos que incluem a energia eólica. O projeto em estudo e agora em fase de testes, tem o propósito de criar um aerogerador compacto que possa ser utilizado de forma quase autônoma em regiões de difícil acesso do Maranhão.

Historicamente, a região das reentrâncias maranhenses, recortes litorâneos de grande riqueza de fauna e flora localizada no litoral ocidental e com vocação ecoturística, apesar de ser habitada há centenas de anos, sempre sofreu com a dificuldade de acesso e, por conseguinte, privou aquelas populações das vantagens proporcionadas pela energia. Um exemplo prático se dá na conservação de alimentos. A base econômica é a pesca artesanal que poderia sofrer grande incremento se houvesse energia.

Um outro grande marco nessa área é o projeto, também numa parceria entre a Universidade Federal do Maranhão, Prefeitura de Cururupu em associação com a Cemar, que viabilizará a instalação de aerogeradores no arquipélago de Maiaú que inclui mais de 50 ilhas. Inicialmente, o projeto prevê atender cerca de 1.600 famílias. A instalação deste parque eólico de grande relevância socioeconômica tem um aspecto ambiental importante. Os antigos geradores de energia movidos a diesel ganharão, a partir de então, um lugar secundário e emergencial. Ainda está previsto que a iluminação pública será feita por fonte solar e cada poste terá sua própria unidade geradora. A concepção desta atividade tem a fundamental participação dos técnicos da UFMA e a operacionalização será realizada pela Cemar.

Outras áreas de estudo de energia limpa e renovável tem o engajamento de outros departamentos da UFMA. Cito o Núcleo de Biodiesel que pesquisa o reaproveitamento de resíduos da matéria-prima do óleo vegetal e dos subprodutos do processo do Biodiesel, além de novas fontes produtoras deste tipo de óleo. Há apenas uma previsão geral sobre quando as fontes de petróleo esgotarão e é certo que as descobertas no Brasil ampliaram o tempo de utilização desta fonte não renovável e finita. Porém, ainda que formas mais eficientes de utilização estejam sendo desenvolvidas, o crescimento populacional; a inclusão de mais pessoas na cadeia de consumo em países como o Brasil e congêneres; a necessidade de produção de alimentos e o bem-estar de todos no planeta continuarão pressionando esta fonte energética.

Os especialistas em energia têm sido unânimes em afirmar que nos próximos anos, um estado ou país que deseje manter autossuficiência energética - fato que é indissociável na manutenção do desenvolvimento econômico e social - deve ampliar seu leque de fontes de energia. Isso requer grandes investimentos em pesquisa e inovação. A Universidade Federal do Maranhão tem envidado especial esforço nesta direção, seja na pesquisa, seja na formação de profissionais especializados para atender a este instigante desafio.

 

Doutor em Nefrologia, reitor da UFMA, membro do IHGM, ACM e AMC

Publicado em O Estado do Maranhão em 26/08/2012

 
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