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Palavra do Reitor

Discurso das Universitárias/2014

Senhoras e senhores,

Boa noite.

O ano de 2014 caminha para seu final e nós, que fazemos a Universidade Federal do Maranhão, muito temos a comemorar. Não quero deter minha fala em números, mas em situações que vivenciei como, por exemplo: a de dezenas de jovens que ficaram emocionados com a chegada do curso de Medicina à baixada maranhense e com a implantação de tantos outros cursos em várias regiões do Estado; a alegria daqueles que sonham em cursar Arqueologia e que agora estão mais próximos de alcançar esse objetivo; o sucesso estrondoso da edição deste ano do Festival Guarnicê; a realização de eventos em nosso espaço como os casamentos comunitários, a semana de conciliação, a inauguração de nosso centro de convenções... Elegi apenas alguns dentre centenas de fatos, pois me faltaria espaço para falar de cada vitória conquistada.

E a cada evento, a cada ação, a cada nova conquista o grande diferencial, mais uma vez, foi a participação e o engajamento daqueles que dedicam seus talentos à melhoria, ao crescimento e à expansão de nossa universidade. São estes momentos, compartilhados por servidoras e servidores, que me fazem lembrar a fala de Leonidas Donskis, no livro “Cegueira Moral”, em que ele assina com Zygmunt Bauman: “(...) Deus se manifesta nos seres humanos por uma conexão humana, no amor, na amizade, nos poderes da comunidade e na sociabilidade”. Sem o envolvimento de homens e mulheres comprometidos não apenas com suas funções, mas com a sociedade à sua volta, a Universidade certamente não alcançaria tanto êxito.

E é imbuída do espírito de gratidão e reconhecimento que todos os anos a Universidade Federal do Maranhão realiza este evento para a entrega das Palmas Universitárias, justamente para destacar aquelas e aqueles que prestaram relevantes serviços à instituição. De fato, aqueles que são distinguidos representam todos os demais, pois neles se reconhecem o labor e o comprometimento de cada pessoa que se dedica para que a UFMA seja o que é hoje e, sobretudo, o que se tornará no futuro.

Diferente do operário em construção reproduzido pelo poeta e compositor Vinícius de Morais, o operário-universitário pode, sim, aproveitar as benesses de seu trabalho. O operário especificado pelo poetinha era um excluído, ainda que a força de seu trabalho produzisse “garrafa, prato, facão”, mas ele mesmo não era reconhecido. Reconhecer, portanto, não está no plano de uma espécie de pagamento, visto que o amor dedicado não pode ser pago. Outro operário, este cantado por Chico Buarque de Holanda, sobe a construção como se fosse máquina. É só uma peça numa monstruosa engrenagem. Homem perdido com olhos embotados com cimento e lágrima. É bêbado, náufrago, príncipe, marido, que morre na contramão atrapalhando um sábado.

Já em nossa Universidade temos o operariado do saber. Aqui celebramos servidores-pessoas e nos congratulamos como edificadores de abrigo do conhecimento, de um edifício construído num círculo virtuoso de liberdade, autonomia e bem-estar. Operários construtores que, de muito sabemos, fazem o presente e o futuro de um estado e nação. Não é uma missão inglória, já que os frutos se veem por todo lado: jovens                          carregados de sonhos e da responsabilidade de nos substituir. O que vamos legar? Entusiasmo, determinação e fé. Não o legado religioso, ainda que caiba, mas a fé do homem comum que sai de casa todos os dias em direção ao seu trabalho com um sentido de missão.

Ao mesmo tempo que nossa Universidade cresce de forma grandiosa e seus feitos também, continuamos com nosso espírito de simplicidade e consciência de nosso papel que depende do outro para gerar resultados. Desse modo, tomo como exemplo o próprio gabinete na reitoria, modesto e simples. Sabemos que nessa trajetória de contribuições estão não só os que integram a UFMA, mas também outras pessoas e instituições que apostam em nosso trabalho e que cooperam direto ou indiretamente com o crescimento desta Universidade, razão pela qual vamos ampliar o reconhecimento a esses colaboradores com a entrega da Medalha do Mérito Universitário Sousândrade e a outorga do título de Doutor Honoris Causa.

 

 

 

 

Senhoras e senhores,

Quando homenageamos pessoas, significa dizer a elas muito obrigado. Estamos gratos porque aqueles que têm sido distinguidos são os que fizeram muito mais que o servo inútil descrito no Evangelho: só faz apenas aquilo que se espera dele. Vocês superaram em muito a expectativa daquilo que se esperava de seu trabalho e isso não é e nunca será mais-valia, e sim dignidade.

Ao citar o Evangelho, lembro-me da famosa parábola de Jesus, evidenciada tanto por São Mateus quanto por São Marcos, na qual o Mestre fala de um homem que saiu a semear. A semente era a mesma, o diferencial era o local onde ela era lançada. Jesus fala do terreno pedregoso, da beira do caminho, do espinheiro e ainda da terra fértil e boa. As consequências são as mais diversas e apenas a semente que prospera é aquela que encontra guarida numa terra que a acolhe, que a envolve com carinho e que possibilita a ela o devido espaço para crescer e frutificar.

Assim também é a Universidade: há oportunidades para todos e para todas, mas somente os que possuem um coração que atende ao chamado da participação, da cooperação e do envolvimento com o bem comum poderão frutificar e ver o resultado de seu empenho não apenas em suas próprias vidas, mas na sociedade em sua volta.

Por outro lado, aqueles cujos corações são terras áridas e inférteis, que preferem a lamúria, a murmuração, a perseguição sem propósito e a torcida contrária serão sempre estéreis e sequiosos, e talvez nunca se deem conta da oportunidade que deixaram escapar de suas mãos de marcarem seus nomes na história e na alma daquelas e daqueles que conheceram.

A parábola do Semeador – como a história é conhecida – nos deixa ainda um alerta para a vocação de servir e de ser útil a despeito de qualquer recompensa, pois, para além das distinções humanas, há a certeza de que Deus reconhece e abençoa a terra vocacionada para impulsionar a semente.

A poetisa Marina Colasanti, em seu famoso poema “Eu sei, mas não devia”, faz um alerta: “A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma”. Vocês, com seu labor e dedicação, provaram que não se acostumam à mediocridade, à burocracia, ao marasmo, mas que, ao contrário disso, sonham e realizam, e são capazes de ir muito além.

A todas e a todos, meu muito obrigado.

Em 26/08/2014 

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