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Palavra do Reitor

O dia em que a baixada parou

O título deste artigo – uma alusão ao filme “O dia em que a terra parou”, clássico americano do diretor Robert Wise, de 1951 – é apenas uma forma pleonástica de nos referirmos à data que marcou oficialmente o início do curso de Medicina no campus de Pinheiro – o primeiro da UFMA no continente –, atraindo centenas de estudantes, familiares, amigos, convidados e autoridades àquela solenidade. Estiveram presentes vários pró-reitores, coordenadores, professores e técnicos de nossa universidade, prestigiando esse importante acontecimento, além de estudantes do Ensino Médio da região que foram verificar aquele momento que pode ser seu futuro próximo.

Trata-se da realização de um sonho antigo para a baixada maranhense – constituída por aproximadamente vinte municípios. A cidade de Pinheiro estava cheia de faixas e cartazes comemorando esse inegável avanço. Havia um clima de euforia e emoção que contagiava a todos. Afinal, daqui a seis anos, teremos a primeira turma de médicos formados naquela região, aptos para fazer toda a diferença onde forem atuar. Seja ali ou em qualquer lugar do mundo, os novos médicos levarão consigo não apenas aprendizados do saber científico, mas a experiência rica de vivência nas comunidades e a interação com o cotidiano da baixada maranhense, principalmente com moradores da zona rural, conforme disposições do novo modelo dos cursos de Medicina da Universidade Federal do Maranhão.

Os 40 alunos que compõem a primeira turma já sabem que esse curso conta com um grande diferencial, mais focado na humanização e proximidade com o paciente, e que também alia desde o início a teoria à prática. Vale ressaltar que esse novo modelo de formação médica é fruto de encontros e debates constantes e tem sido alvo de diversos elogios. Um dos resultados é o convite para que ele seja apresentado num encontro no Canadá.

Num Estado carente de oportunidades, a instalação definitiva do curso de Medicina em Pinheiro também proporcionará uma revolução em todos os setores, com a atração de mais técnicos, professores, pesquisadores e estudantes que movimentarão a economia da cidade, gerando consequentemente mais renda e desenvolvimento, de forma direta e indireta. A despeito dos outros importantes cursos universitários que já existem naquele campus, cabe frisar que a crescente vinda de professores de outras partes do país, com alto nível de qualificação, somará esforços ao também excelente contingente de professores de nossa universidade. Quero destacar que tivemos todo o apoio do governo local, na pessoa do prefeito Filadelfo Mendes, que não mediu esforços para possibilitar uma série de detalhes para que o novo curso funcione a contento. Também inconteste o apoio da bancada de senadores e deputados federais do Maranhão.  

Aquele dia de alegria é apenas um a mais na recente história de interiorização da Universidade Federal do Maranhão, a universidade que cresce tanto em ensino quanto em pesquisa, extensão e inclusão social. A forma calorosa como nos recebeu a população da baixada maranhense reafirma o caminho certo que a UFMA tem trilhado: a valorização e o investimento sério na educação que liberta, transforma e constrói novas gerações.

Hoje, cada vez mais, a UFMA se faz presente no interior de nosso extenso Estado – a exemplo dos campi de Grajaú, Imperatriz, Bacabal, São Bernardo, este de Pinheiro, além de Chapadinha, Codó e o de Balsas, que está em construção. Para a região da baixada, temos como certa a implantação do curso de Enfermagem em Pinheiro e Engenharia de Pesca em Cururupu, valorizando o potencial e a vocação daquela área.

Temos um prazo de aproximadamente noventa dias para que fique pronto o prédio do Campus de Pinheiro que vai abrigar os estudantes de Medicina, num espaço de mais de três mil metros quadrados, e que vai oferecer modernos laboratórios e confortáveis salas de aula. Enquanto isso, provisoriamente, os alunos vão dividir salas de aula e laboratórios com alunos dos cursos de licenciatura em Ciências Naturais e Humanas.

Uma nova realidade chegou à baixada, os jovens de lá não precisarão mais deixar o conforto de suas casas e a companhia de suas famílias e amigos para cursar Medicina, como eu tive que fazer deixando minha querida Cururupu para me tornar médico em São Luís. O curso está ao alcance de todos quantos queiram fazê-lo.  E, em breve, serão esses egressos os vetores para a adoção de novas políticas públicas que assegurem mais saúde e qualidade de vida para aquela região.

Doutor em Nefrologia, reitor da UFMA, membro do IHGM, da AMM, AMC e AML.

Publicado em O Estado do Maranhão em 13/04/2014

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