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"Que medo é esse que temos do feminismo?", questiona palestrante em evento sobre relação de gênero

Publicado em: 11/09/2019

SÃO LUÍS – Na noite de ontem, 10, no auditório do Centro Pedagógico Paulo Freire da UFMA, a professora Vanessa Cavalcanti (UFBA) proferiu a conferência de abertura dos eventos VII Encontro Maranhense sobre Educação, Mulheres e Relação de Gênero no Cotidiano Escolar (EMEMCE) e VII Simpósio Maranhense de Pesquisadores sobre Mulher, Relações de Gênero e Educação (SIMPERGEN), que ocorrem simultaneamente.

Durante sua apresentação “101+71+31+18: abrindo diálogos, possíveis, pertinentes e urgentes”, a conferencista faz um percurso na história do feminismo, lembrando as efemérides correspondentes na expressão matemática acima.

Há 101 anos, recorda a historiadora, ocorreu a Primeira Guerra Mundial. “Já estamos livres da memória da guerra corpo a corpo, ou será que os corpos, e, principalmente, os femininos, ainda são inviolados? Por que as guerras de trincheiras não tinham registro de mulheres? Historicamente, onde estavam as mulheres?”, questionou Vanessa.

Já a Declaração dos Direitos Humanos foi assinada há 71 anos. “A garantia de uma vida digna a todas as pessoas, e não apenas aos homens”, frisou. Em 1988, foi promulgada a Constituição Federal do Brasil, portanto há 31 anos.

“Uma Constituição que pode ser letra morta toda vez que passamos por cima de instituições, quando provocamos cortes na educação em vez de contingenciamento, quando estudar é uma ameaça, afinal, conhecer significa transformar”, disse.

Para finalizar, a professora indagou à plateia o que ocorreu há 18 meses e que, até hoje, não tem resposta. “Uma mulher, negra, assassinada. Marielle, presente. Mais uma mulher morta, violada e silenciada”, respondeu Cavalcanti.

Medalha Laura Rosa

A entrega da Medalha “Laura Rosa” é um reconhecimento às mulheres professoras por suas atuações no magistério e na constituição da história das mulheres, sobretudo, na política educacional maranhense.

“Nós exaltamos, nestas edições do EMEMCE e SIMPERGEN, mulheres que se distinguem por sua atuação no Maranhão com relação aos estudos feministas e que assumem uma posição de vanguarda, como a reitora Nair Portela, primeira mulher no cargo máximo na UFMA”, ressaltou a coordenadora do evento, Iran de Maria Leitão.

A homenageada que inspirou o título da Comenda, Laura Rosa, foi uma professora afrodescendente normalista, poetisa e membra da Academia Maranhense de Letras, que viveu no Maranhão no século XIX. Foram premiadas este ano: Maria Mary Ferreira, Sandra Nascimento, Lurdes de Maria Leitão Rocha, Nair Portela Silva Coutinho, quatro professoras da UFMA; e Elizabeth Abrantes, da UEMA.

“A insígnia se afigura como um ato de resistência no momento em que uma das categorias fundamentais dos estudos femininos [a mulher] tem sido alvejada por preconceitos e grosserias decorrentes do total desconhecimento do seu significado pelas pessoas à frente do poder executivo brasileiro”, discursou a professora Diomar Motta, que mediou a premiação.

ABERTURA DO VII EMENCE E SIMERGEN

O evento e as discussões

A sétima edição Ememce e Simpergen tem como tema central “Feminismos nos espaços educativos”. A temática foi motivada pelo aniversário de cinquenta anos do movimento feminista da América Latina, com inspiração na obra “50 anos de feminismos: Argentina, Brasil e Chile: A construção das mulheres como atores políticos e democráticos”, organizada por Blay e Avelar.

Entre os eixos temáticos que serão abordados durante o evento, estão “Feminismo, política e poder”, “Feminismo, língua e linguagem”, “Feminismo, filosofia, ciências e tecnologias”, “Feminismo, práticas educativas, escolares e pedagógicas” e “Feminismo, arte e cultura”. 

“Por ser um tema que tem uma base histórica e a necessidade do contexto que nos encontramos — altas taxas de feminicídios, assédios sexuais e desrespeito à figura da mulher nos espaços escolares — nós precisamos trazer para discussão e compreensão a sua necessidade para o âmbito da escola, nos diferentes níveis da educação”, explicou a coordenadora do evento.

Para a reitora Nair Portela, o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação, Mulheres e Relações de Gênero (GEMGe), que organiza o evento, vem fazendo, com excelência, discussões sobre o feminismo e o espaço da mulher na sociedade.

“O Gemge tem se revelado persistente na busca e no aprofundamento nas discussões sobre o feminismo, a mulher na sociedade e a questão do ‘ser mulher’, com enfoque à contribuição das mulheres-professoras na história. Dessa maneira, quando falamos sobre feminismo, contribuímos para a importância de seu conhecimento, sua discussão e apreensão”, finalizou.


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Revisão: Jáder Cavalcante
Fotos: Matheus Werneck e Sansão Hortegal
Lugar: Cidade Universitária Dom Delgado
Texto: Maiara Pacheco
Última alteração em: 12/09/2019 16:07

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