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Uso do óleo da Cannabis gera resultados satisfatórios no tratamento do autismo

Publicado em: 02/05/2017

SÃO LUÍS - Ocorreu na quinta-feira, 27, no Auditório do Centro Pedagógico Paulo Freire, a palestra sobre o uso do óleo da Cannabis no tratamento do autismo, com o médico especialista em medicina preventiva e social, Paulo Fleury Teixeira. O médico, pioneiro na pesquisa sobre o uso da Cannabis, apresentou ao público os resultados do seu tratamento experimental para tratar de sinais, sintomas e distúrbios associados ao autismo.

O médico clínico Paulo Fleury Teixeira coordena o tratamento experimental por meio do Óleo de Cannabis (OC), rico em CBD9OC, conhecido como Canabidiol. O produto é um dos 60 componentes farmacologicamente ativos da planta Cannabis sativa (de onde também deriva a maconha). Caracteriza-se por não ser psicoativo, ou seja, não causa alterações psicossensoriais, além de ter baixa toxidade e alta tolerabilidade, tanto em seres humanos como em animais.

Em um grupo de pesquisa formado, em sua maioria, por meninos com idade de 10 anos residentes em três estados do país, foram levantados resultados consolidados de sete meses. Todos receberam doação do OC da marca CBDRX Prime Organics, produzido pela empresa norte-americana CBDRX, sediada no Colorado (EUA), que é parceira na pesquisa. Atualmente, o grupo é formado por 40 crianças.

Segundo o médico clínico, a importância maior dessa pesquisa é conseguir amenizar os problemas da epilepsia em crianças autistas. Fleury afirma que a epilepsia de difícil controle é uma das principais motivações para o tratamento. As crianças autistas têm epilepsia numa proporção 20 vezes maior que as pessoas normais, o que provoca níveis de sofrimento extremos às crianças e aos familiares que presenciam de forma impotente. “Às vezes, são utilizados cinco medicamentos antiepilépticos associados, transformando-se numa bomba química potencialmente letal para as crianças. A possibilidade de utilizar uma planta fitoterápica, um extrato com toxidade zero e ter mais efetividade é maravilhoso”, contou o professor.

Fleury também conta que a medicina tradicional tem oferecido drogas agressivas para o organismo da criança e sem resultado efetivamente positivo, na maioria das vezes. O professor observou em seu experimento que o canabidiol atua positivamente no controle das convulsões, além de controlar os aspectos mais graves do autismo, como os distúrbios do sono, hiperatividade extrema, autoagressividade, déficit extremo de atenção e movimentação aberrante, numa taxa maior que os antipsicoativos. E o mais importante: sem os efeitos colaterais dos medicamentos industriais.

O uso do canabidiol também propiciou o desenvolvimento global da criança. “A fala é estimulada e é desenvolvida, há melhora da coordenação motora e sua capacidade de andar e manipular as coisas com a mão, melhora da possibilidade de interação com as outras pessoas, além de seu aspecto cognitivo. Isso raramente seria obtido com outros medicamentos”, destacou.

O canabidiol saiu da lista das substâncias psicotrópicas de uso proibido da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)  e agora está no rol de substâncias controladas. Na prática, ainda é necessário importar o componente, quando comprovada a necessidade de uso. Ou seja, a Anvisa avalia cada caso individualmente.

O paciente que utiliza tratamento à base de canabidiol deve ter receita prescrita pelo médico da especialidade de neurologia (psiquiatra ou neurologista) cadastrado na plataforma do Conselho Federal de Medicina. Além disso, o paciente deve assinar um termo de consentimento em que conste que optou pelo tratamento com canabidiol, embora tenha sido informado de outras possibilidades.

Segundo a coordenadora do Núcleo de Acessibilidade da UFMA, Maria da Piedade de Oliveira Araújo, a eficácia do tratamento é uma oportunidade para os pais verem resultados satisfatórios aos seus filhos. “A Universidade Federal do Maranhão vem a agregar essa pesquisa para que outros estudantes e profissionais se interessem nesse campo que está ajudando várias famílias”, acrescentou.

A epilepsia não é a única doença que está em tratamento com o canabidiol. Vários estudos têm sido realizados com o uso do composto no trato da dor crônica, espasmos musculares, esclerose múltipla e astenia (pacientes sem apetite) causada por HIV e câncer.

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Produção: Kleo Souza
Revisão: Jáder Cavalcante

Lugar: Cidade Universitária Dom Delgado
Texto: Carina Andrade
Última alteração em: 03/05/2017 11:19

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