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Atletas paradesportivos realizam testes físicos em laboratórios do Núcleo de Esportes

Publicado em: 02/03/2013

SÃO LUÍS – Os alunos inscritos nas turmas de basquete em cadeira de rodas e Goalball realizaram testes físicos para o início das atividades de 2013 do Centro de Excelência em Paradesporto da UFMA, projeto do Departamento de Educação Física. O projeto visa ao desenvolvimento paradesportivo de pessoas com deficiência e a revelação de atletas que possam representar o Brasil em competições internacionais. A avaliação física dos atletas, que ocorreu entre os meses de janeiro e fevereiro, foi feita em duas etapas, sendo a primeira concentrada em dois laboratórios do Núcleo de Esportes da UFMA e a última no Ginásio Poliesportivo da Cidade Universitária.

Entre os testes físicos realizados para o projeto estiveram o de bioimpedância para descobrir a composição corporal; um teste de força física através de um dinamômetro computadorizado; um teste de potência anaeróbica, em que é utilizado um equipamento computadorizado chamado fotocélula; e um teste de corrida que, no caso de atletas participantes da modalidade de basquete em cadeira de rodas, a avaliação é adaptada em uma esteira do laboratório que comporta a cadeira e o esportista .

Sobre os testes físicos, o professor do Departamento de Educação Física, que possui ampla experiência em Fisiologia do Exercício, Francisco Navarro, explica que a ideia é descobrir qual o condicionamento físico do atleta a fim de avaliar a intensidade do exercício. ‘‘Recebemos uma atleta corredora de alta performance e, para ela, fizemos os testes para descobrir com qual intensidade ela tem um rendimento maior. Para as pessoas com deficiência física será o mesmo processo, só que é provável que, por não serem atletas de alto rendimento ainda, precisamos fazer os testes físicos para descobrirmos a intensidade de exercício que seja adequado para que melhorem ao longo do tempo’’, explicou.

Diferenças Fisiológicas

As diferenças fisiológicas entre pessoas com e sem deficiência física sempre vão depender do tipo de deficiência que cada um possui. Se o indivíduo possui um membro inferior amputado, o fluxo sanguíneo é afetado por conta das dificuldades de locomoção e a capacidade de equilíbrio também. De acordo com o professor Navarro, isto é normalmente atenuado com a ajuda da muleta ou da prótese, em uma tentativa de voltar à situação anterior. Porém, neste caso há mais problemas biomecânicos do que propriamente de fisiologia. Ele afirmou que se for um indivíduo que sofreu uma lesão na coluna, este não tem como movimentar os membros inferiores e, a partir daí, começa a ter alterações fisiológicas pelas dificuldades de retorno venoso, quando os músculos dos membros inferiores precisam se contrair para o sangue voltar para o coração. “Como a pessoa fica muito tempo sentada, há uma sobrecarga tardia, por isso a importância da atividade física para esse indivíduo, seja por métodos de fisioterapia, seja por métodos das atividades ministradas na educação física. A prática destas atividades físicas vai fazer com que o sangue do indivíduo circule com mais facilidade e ele tenha menos sobrecarga cardíaca”, explicou.

Em relação aos riscos de esforços físicos excessivos e não acompanhados por profissionais da área de educação física, a recomendação “não muda muito do indivíduo sem deficiência ou com deficiência, pois é o mesmo procedimento e a única diferença é o tipo de exercício que irá praticar”. O indivíduo que tem deficiência e não estiver acostumado com exercícios precisa fazê-los com intensidade leve, para que o organismo se acostume com a atividade. Em seguida, o atleta passa a fazer os exercícios com intensidade moderada para, posteriormente, praticar outros com maior intensidade, tudo dentro um programa de treinamento.

Francisco Navarro acrescenta que, normalmente, a pessoa com deficiência sedentária pode correr o risco de contrair uma série de problemas, entre os quais o aumento de colesterol, de hipertensão e maior frequência de obesidade, podendo se agravar para um quadro que envolva doenças crônicas degenerativas. “A maioria das pessoas acha que só há possibilidade de prática de atividades físicas para quem não tem deficiência e, isso não é verdade. A educação física tem condições de organizar atividades e exercícios para qualquer indivíduo com qualquer dificuldade motora. O grande benefício dessas atividades é melhorar o sistema fisiológico para possibilitar a melhora da saúde desses indivíduos”, ressaltou.

O programa inclui ainda atividades que visam ao desenvolvimento do atleta e ajuda a melhorar a capacidade física, a capacidade técnica e a habilidade motora do paradesportista. O projeto foca na revelação de atletas para a equipe brasileira paradesportiva que competirá nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Além disso, o Centro de Excelência em Paradesporto da UFMA quer chamar atenção do Ministério dos Esportes para os atletas maranhenses, para que possam ser incluídos em equipes paradesportivas e competir em eventos nacionais e internacionais nos próximos anos.

Hoje, uma das equipes com maior atividade no programa é a equipe de basquetebol em cadeira de rodas, que sempre treina no período da tarde, tendo como base atividades físicas, táticas e de habilidade física, no Ginásio Poliesprotivo da UFMA. Modalidades como futebol de cinco; atletismo adaptado; voleibol sentado e goalball estão em processo de formação.

Saiba +

Segundo a coordenadora geral do Centro de Excelência em Paradesporto, Silvana Moura, 25 alunos já participaram dos testes. O projeto tem as modalidades de basquetebol em cadeira de rodas, com 12 atletas participantes; voleibol sentado, com nove atletas e goalball, com cinco atletas.

As inscrições para o Programa Centro de Excelência de Paradesporto da UFMA estão abertas em período indeterminado, no Laboratório de Estudos e Pesquisas em Educação Física no Núcleo de Esportes da UFMA nos períodos matutino e vespertino, no horário das 8h às 12h e das 14h às 17h30. Mais informações sobre o programa podem ser obtidas através do telefone (98) 3272-8171.









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Revisão: Juliana Lavra
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